Diretor José Renato Falece aos 85 Anos

Publicado em: 02/05/2011

Em uma noite quente de domingo, para celebrar o término da Satyrianas, em 2008, Alberto Guzik e Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco foram mestres de cerimônia em uma homenagem ao diretor José Renato Pécora, conhecido como José Renato.
 

Durante a homenagem ao veterano artista, considerado patrimônio do teatro brasileiro, estavam presentes, ainda, os diretores Hugo Possolo e Sérgio Sálvio Coelho, o maestro Amalfi e o escritor Mário Viana. Todos presenciaram a entrega da placa a Zé Renato feita pelo ator, apresentador e escritor Juca de Oliveira.
 

A plateia comovida estava repleta de atores como Natália Rodrigues e Gero Camilo, além de diretores, dramaturgos e amantes das artes. Na época, Guzik declarou em seu blog que a homenagem havia sido simples, porém emocionante e intensa e que todos saíram muito felizes da comemoração.
 

Infelizmente, nessa segunda-feira chuvosa, a SP Escola de Teatro se emudeceu com a notícia de que José Renato havia falecido, vítima de um enfarte, aos 85 anos. O diretor chegou a fazer a sessão de ontem do espetáculo “12 Homens e uma Sentença”, no Teatro Imprensa e, após jantar, seguiu para a rodoviária, onde pegaria um ônibus para o Rio de Janeiro, como fazia toda semana. Sentiu-se mal na rodoviária e foi encaminhado ao hospital Santana, onde faleceu à meia-noite e meia.
 

O  corpo do diretor será velado hoje no Teatro de Arena | Eugênio Kusnet, situado à Rua Teodoro Baima, 94, no centro da capital paulista, a partir das 17h, e o enterro será realizado, amanhã (03/04), no Cemitério do Morumbi.

 

Abaixo, confira o texto escrito pelo ator e companheiro de palco Oswaldo Mendes.
 

Após a sessão de domingo, eu me despedi do Zé, na porta do Teatro Imprensa, e ainda brincamos que por pouco não viajaríamos juntos para o Rio, onde tenho um compromisso de trabalho nesta segunda à tarde e na manhã de terça-feira. Minha viagem já estava marcada para a manhã de hoje, segunda. Ele preferia sempre viajar à noite para amanhecer no Rio. Desta vez, um enfarte interrompeu sua viagem e seus muitos planos de trabalho.
 

José Renato, que voltou a atuar como ator depois de 56 anos, estava em um momento feliz. O sucesso de “12 homens e uma sentença” é, especialmente, o sucesso dele que, por ter feito a sua trajetória no teatro como diretor, desde que criou o Arena, não tinha provado o reconhecimento das plateias, em especial dos muito jovens que assistem ao espetáculo. Reconhecimento que agora ele experimentou com uma alegria juvenil que nós, que dividíamos o camarim com ele, testemunhamos nesses sete meses de temporada.
 

O Zé ria, fazia e provocava piadas, formava o nosso coral que todas as noites desengavetava um repertório de músicas do passado, em exercício de puxar pela memória. Era assim o “aquecimento” e a “concentração” de rotina antes do espetáculo. Uma noite, de tanto rir das brincadeiras do Riba, do Norival Rizzo e da Ieda, nossa fiel camareira, ele desabafou com um sorriso largo: “Vocês ainda vão me provocar um enfarte de tanto rir”. Na sessão deste domingo, ele trocou uma palavra do seu texto, que só o elenco percebeu. Em vez de dizer “o velho queria um pouco de atenção” ele disse: “o velho queria um pouco mais de tempo”. Me fugiu a palavra, ele se desculpou sorrindo no camarim ao final do espetáculo. Pois é, tanto ele como todos nós queríamos um pouco mais de tempo para o nosso encontro. Não fomos atendidos. Fica em nós a saudade, que dói demais. Mas fica também a certeza de que José Renato marcou definitivamente o teatro brasileiro – e, em particular, marcou a vida e o caminho de cada um de nós.
 

Obrigado, Zé.
Do amigo e discípulo Oswaldo Mendes   

 

Fotos: Luciana Camargo | FotoMix