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Diário de uma Estreia

Publicado em: 23/02/2011

Os deuses do teatro abençoaram a chegada dos aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Até as tempestades e trovoadas, costumeiras na tardes desse início de ano na capital paulista, deram uma trégua e o primeiro dia de aulas, na terça-feira (22), foi ensolarado e de céu aberto.
 
Ao voltar para ao seu local de estudos, transpiração e inspiração, aprendizes dos Cursos Regulares do período matutino esboçavam em seus olhares e sorrisos a alegria de reencontrar seus mestres e amigos. E, como presente de boas-vindas, passaram a manhã, na presença de todos os coordenadores e formadores da Escola, em uma aula magna com o diretor e ator Enrique Diaz.
 
“A possibilidade de diálogo entre os profissionais que formam o corpo docente da Escola, somada ao método de ensino proposto, me parece muito interessante. Único na verdade. Tem tudo para ser excelente, só é preciso saber aproveitar”, revela Enrique Diaz.
 
Aos poucos, os  aprendizes do período vespertino, chegaram sorrateiros para seu primeiro dia de aula na SP Escola de Teatro. No começo, pareciam tímidos, mas logo começaram a se entrosar com os colegas também recém-chegados. As rodas de conversas criadas pelos novatos, porém, foram invadidas pelos veteranos e tudo virou uma grande festa.
 
Enquanto cantavam o hino da Escola, alguns veteranos se posicionaram em um corredor humano, na entrada principal do prédio, para saudar os novos aprendizes com uma salva de palmas, cumprimentos, elogios, e, de leve, até uma bagunçadinha no cabelo. Alegres, todos entraram na brincadeira que os levava até o pátio da Escola.
 
“Tudo isso significa uma nova fase. Quero desenvolver, evoluir. Estou muito satisfeito por estar na SP Escola de Teatro”, revelou Gustavo de Souza, aprendiz do curso de Sonoplastia.
 
Ansiedade era a palavra que descrevia a emoção dos novos aprendizes. Juliana Pena, do curso de Dramaturgia, e André Mendes, do curso de Humor, por exemplo, não encontravam outra palavra senão essa para descrever o sentimento de pisar pela primeira vez no solo da SP Escola de Teatro. “Não sei direito o que sinto. Mas espero aprender muito e trabalhar como nunca a minha escrita e técnica de criação dramatúrgica”, revela Juliana que, com pressa, logo virou as costas para ouvir a fala de Ivam Cabral, diretor executivo da Escola.
 
Ivam Cabral ensinou o hino da Escola para os calouros e, na sequencia, apresentou aos novos aprendizes, todos os coordenadores, formadores, artista-residentes e funcionários da SP Escola de Teatro, sem esquecer da mascote Cacilda e do saudoso Alberto Guzik, um dos mentores do projeto e elemento fundamental na construção desse sonho. “No final do processo, Guzik soltou nossas mãos como todo mestre faz com seus aprendizes”, disse Ivam durante um depoimento emocionado.
 
Entre mesas repletas de farinha, tigelas e luvas, Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Escola, também saudou os novos aprendizes lembrando-os que o comprometimento e o empenho são de enorme importância para aqueles que pretendem seguir carreira nas Artes Cênicas e finalizou a conversa com um desejo simples, direto e pertinente: “Merda a todos”.
 
Dando continuidade às festividades, os novos aprendizes literalmente colocaram a mão na massa e, munidos de luvas e gorrinhos, misturaram farinha, água, sal e fermento para fazer um pão. Atividade que simboliza a importância de união entre todos da Escola. E reforça também a ideia de que é com elementos básicos que se constrói um forte alicerce.
 
Enquanto os pães feitos pelos aprendizes assavam, eles foram convidados a conhecer melhor seus coordenadores, formadores e colegas e, separados em suas turmas, receberam uma galharufa, espécie de amuleto oferecido a um novato por um artista mais experiente.
 
Cada um dos oitos Cursos Regulares do período vespertino recebeu um padrinho com experiência de peso na área. O diretor Norival Rizzo, o figurinista José de Anchieta, a atriz Marisa Orth, a iluminadora Cibele Forjaz, o diretor Antunes Filho, o dramaturgo Luis Alberto de Abreu, a diretora musical Tunica Teixeira e o cenógrafo José Dias foram os escolhidos de 2011.

 

A tarde terminou com uma confraternização no pátio da Escola, na qual todos os novos aprendizes se esbaldaram ao redor de uma mesa repleta de pães em um grande ritual de comunhão.