Devising e Site Specific na Praça Roosevelt

Publicado em: 12/03/2013

Sob uma intensa garoa, Rodolfo García Vázquez faz um “tour” pela Praça Roosevelt com os participantes do curso
(Foto: SP Escola de Teatro/Arquivo)

 

A partir de um raio X da Praça Roosevelt, incluindo aí a sua história desde os tempos dos índios e dos colonizadores portugueses, os alunos do workshop “Devising e Site Specific para Artistas Cênicos” vão trabalhar a relação entre espaço e plateia e como esta implica no significado de espaço, no caso a Praça Roosevelt, além de criar a interação para que o público não seja apenas observador, mas também participante da obra de arte.
 
Orientado pelos suecos Sara Erlingsdotter e Claes Peter Hellwigde e promovido pelo departamento de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, o workshop teve início na noite de ontem (11) e seguirá até a próxima segunda-feira (18).
 
A turma se reuniu no Espaço dos Satyros Um e contou com participações especiais do diretor Rodolfo García Vázquez, coordenador do curso de Direção da Escola; da aprendiz de Direção Camila Oliveira, que desenvolveu, em 2012, um importante trabalho de pesquisa histórica sobre a Praça Roosevelt, além do casal Renato e Gilda, que morou no entorno da região de 1984 a 1992 e, há mais de 40 anos, possui uma barbearia por ali. “Nós acompanhamos toda a transformação da Praça. De sua inauguração, em 1968; seu apogeu, nas décadas de 70 e 80; o declínio, nos anos 90 e a revitalização, agora, na primeira década de 2000”, lembrou o Sr. Renato.
 
Depois de acompanharem, atentamente, às explanações de Camila e do casal de vizinhos da Praça, os suecos e toda a classe assistiram a um vídeo exibido por Rodolfo, com imagens da Roosevelt antes de sua mais recente reforma, que culminou com sua reinauguração, em novembro do ano passado. “Agora, quero convidar a todos para uma caminhada pela praça, para eu falar um pouco das histórias que aconteceram nela”, disse Rodolfo, seguido por todos os participantes. Animados, nenhum dos participantes se importou com a fina garoa que caía, enquanto o diretor relembrava casos como o da travesti que se jogou de um prédio ou da dificuldade que a Cia. de Teatro Os Satyros encontrou em se estabelecer na região, chegando a receber ameaças de morte. 
 
“Agora, quero que vocês pensem em como ocupar esse espaço, tendo em vista tudo o que ouvimos nesta noite”, afirmou Sara Erlingsdotter. O resultado, a gente conta na próxima semana…
 
Sobre os Orientadores
Sara Erlingsdotter é diretora de teatro e ópera. Também é diretora artística da Himlabacken onde, desde 1990, criou produções de alto nível e desenvolveu projetos de integração de gêneros teatrais. Durante sua carreira, encenou peças na Suécia e em outros países, mas também trabalhou intensamente com teatro ao ar livre. A partir de 2007, desenvolveu o projeto artístico “Ponto de Encontro – Música, Teatro e Espaço”, explorando performances e atividades de investigação em colaboração com a Academia de Artes Dramáticas de Estocolmo, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas e Academia de Música de Malmö. Desde 2012, trabalha na Academia de Artes Dramáticas de Estocolomo desenvolvendo o projeto com foco em pesquisas e cooperação internacional.
 
Claes Peter Hellwig é professor de Processos Criativos para Artes Cênicas na Academia de Artes Dramáticas de Estocolmo. Fundou sua própria companhia de teatro independente, em Estocolmo, em 1978, o Teater Aurora, que liderou com grande sucesso como diretor artístico e dramaturgo, com Hilda Hellwig até seu fechamento, em 1993. Tornou-se diretor artístico do Teatro Ostgota, o maior teatro regional na Suécia. Foi conselheiro artístico e dramaturgo da Svenska Riksteatern, empresa que produz teatro e dança em larga escala (1996-98). Trabalhou em vários projetos como dramaturgo na Suécia e na Escandinávia, sendo o mais recente o libreto de ópera para a Royal Opera de Estocolmo. Paralelamente à sua carreira artística, atua como professor de teatro e dramaturgia. Desde 1998, trabalha em tempo integral no Instituto Dramático como chefe do Departamento de Teatro e, desde 2002, como professor de Processo Criativo.





Texto: Majô Levenstein


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