Daqui Para Frente

Publicado em: 19/08/2011

Quais serão os desafios que aprendizes e corpo docente do Curso Regular de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco vão encontrar neste semestre? Para saber a opinião de ambas as partes, conversamos com o coordenador do curso, Raul Teixeira, o artista residente, Wilson Sukorski, e os aprendizes Janis Narevicius (do Módulo Vermelho) e David de Sousa (do Módulo Amarelo).

 

Segundo Teixeira, o Módulo Vermelho oferece “a possibilidade de afinidade artística entre os colegas que estão se formando e que já passaram por tantos territórios culturais e aulas em conjunto”. Além disso, o coordenador acredita que a liberdade de criação de projetos, a livre escolha de seus pares e a oportunidade de apresentação dos trabalhos na linguagem que julgarem adequada são fatores que permitem novas relações de trabalho e uma aproximação e experimentação das outras áreas de estudo envolvidas.

 

Com relação aos projetos inscritos por meio do Edital, Teixeira diz que há, sim, alguns desafios pela frente. “O próprio caráter do Edital, que abre possibilidades para  propostas diversas  dos aprendizes,  abre, também, uma porta para o inesperado.” 

 

O coordenador explica, ainda, que os assuntos que permearão o curso serão: realismo, épico e performance. E, para que tudo saia como o esperado, é importante que haja “acompanhamento com outros formadores, tempo estendido para a experimentação, condições de produção e verba apropriada”.

 

“Viva o Povo Brasileiro”, material de estudo e referência para o Módulo Amarelo, de acordo com Teixeira, representa um desafio para a capacidade de concentração e perseverança da leitura. “O livro apresenta um Brasil com suas histórias pitorescas nas quais o popular e o erudito desvendam um País amplo, pleno, poético e repleto de manifestações que oferecem muitas possibilidades de estudo.”

 

“Não há como não se identificar com um tema tão próximo e quem não conhece o Brasil, com certeza será convidado a conhecer. Para quem estudou o mundo russo no espetáculo “A Gaivota”, tem agora o privilegio de explorar o que existe de melhor em nosso País”, arremata Teixeira.

 

Na qualidade de artista residente do curso, Sukorski faz uma projeção do semestre e diz que o maior desafio do corpo docente é transformar os aprendizes em profissionais. “Para os sonoplastas, é a oportunidade de retirar de um texto ou de uma ideia, um mundo de novos sons e possibilidades de dramaturgia sonora e musical. Nós, do curso de Sonoplastia, vamos trabalhar muito a composição musical, dando ênfase às diferentes e variadas técnicas composicionais: das mais tradicionais às mais contemporâneas, chegando a todo o arsenal eletrônico e digital.”


Para Janis Narevicius, aprendiz do curso, os obstáculos são ótimas oportunidades para crescer. Ela comenta que ainda não leu ”Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, mas acredita que “a leitura vai contribuir para a formação dos aprendizes, no sentido de se conhecerem melhor”. 


Representando o Módulo Amarelo, o aprendiz David de Sousa dá seu palpite sobre os percalços a serem enfrentados daqui pra frente: “O maior desafio é mexer com o épico. Temos que compor canções e enxergar o lado cênico de cada uma delas. Os elementos que compõem a cena devem dialogar com os outros, para que o trabalho não fique vago.”


Para ele, a comunicação entre os grupos é algo que leva cada um a descobrir diferentes riquezas sonoras. “Eu adoro misturar estilos musicais de diferentes regiões. Acho isso muito contemporâneo.” 


Ao que parece, a tônica do semestre é desafio. E cada um dos envolvidos tem sua própria receita para obter êxito na empreitada. Entregar-se de corpo e alma à Escola e aos trabalhos exigidos e mergulhar sem medo é a sugestão de Janis Narevicius.


Disciplina, paixão e humildade, são os caminhos apontados por Raul Teixeira. “O leque se abre para aqueles que estão antenados ao aprendizado e sabem tirar de seus mestres  o caminho para os estudos e práticas de seus saberes. Se isso for aliado à generosidade, humildade e amor ao seu ofício, o mar se abrirá.”

 
 

Texto: Jéssika Lopes