Para a iluminadora Danielle Meireles, sua profissão “não tem nada a ver com gênero”

Publicado em: 16/04/2018

Foto: Arquivo pessoal/Reprodução.

JONAS LÍRIO

“É fácil trabalhar em uma profissão até então ocupada majoritariamente por homens? Não.” Mesmo com esta resposta simples e direta, a iluminadora Danielle Meireles ainda acredita em um futuro mais promissor no mercado de trabalho para sua área. Aprendiz egressa do curso de Iluminação da SP Escola de Teatro, ela tem no currículo espetáculos de grandes companhias e artistas, mas não nega que a ideia de que esta é uma profissão masculina atrapalhe.

“Para conseguir trabalhar como iluminadora, você tem que saber pelo menos três vezes mais do que um homem, e aí ele vai achar que você sabe a mesma coisa que ele,” afirma a artista. Graduada em Rádio e TV, ela trabalhava em produções audiovisuais e decidiu cursar Iluminação para entender como a luz pode ajudar na criação de narrativas em cena. “Só depois que entrei para a Escola é que o teatro ficou mais vivo e próximo de mim,” conta.

Desde então, Danielle participou da produção de espetáculos como “O Filho” (2015), do Teatro da Vertigem — em que foi supervisionada pelo coordenador do curso de Iluminação da SP Escola de Teatro, Guilherme Bonfanti — e “Não Vejo Moscou da Janela do Meu Quarto”, que ganhou o Prêmio Shell de 2014 nas categorias Iluminação e Direção. Nesses dois casos, ela foi assistente de iluminação.

Para a artista, o machismo se faz presente na profissão da mesma forma que aparece em outros espaços da sociedade: separando características tidas como masculinas de femininas, por exemplo. “Qualquer raciocínio mais lógico é sempre relacionado a um aspecto masculino, enquanto nós mulheres estamos ligadas ao lado da sensibilidade”, diz. Mas ela se recusa a aceitar esse discurso. “Como em qualquer área das artes, a parte estética da iluminação tem que estar aliada à técnica, porque só assim é possível tirar as ideias do papel. Não tem nada a ver com gênero.”

Danielle também tem buscado descobrir novos caminhos na Iluminação — uma motivação dos trabalhos da artista — como o diálogo entre teatro e show. Hoje, ela atua como assistente de Bonfanti, um “mestre” a quem se diz grata, na ópera-rock “Doze Flores Amarelas”, idealizada pela banda Titãs, além de ter feito a peça-show “Farinha com Açúcar” (como assistente de Camilo Bonfanti), em 2016, sobre meninos de periferia, com trilha dos Racionais MC’s.

Retorno

Três anos depois de ter concluído os quatro módulos do curso regular de Iluminação da SP Escola de Teatro, Danielle agora está de volta à Instituição como formadora convidada. Voltar à Instituição em uma posição diferente daquela em que passou dois anos, conta, é uma experiência curiosa, mas inspiradora. “Ter estado ali como aprendiz é saber, agora, as dúvidas que passam na cabeça das pessoas quando eu falo,” diz.

A volta à Escola trouxe para ela uma feliz constatação: o fato de que há mais mulheres no curso de Iluminação agora do que em sua turma, há três anos. “É legal ver que essa distância do universo feminino vem diminuindo bastante e abrindo espaço para todo mundo. A Iluminação tem lugar para todas e todos, basta ter vontade, interesse e se dedicar.”

Na seção Aprendiz em Foco, você confere histórias de quem já passou ou ainda está na SP Escola de Teatro.




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