Dani Biancardi é a Vencedora do Prêmio Cláudia na Categoria Cultura

Publicado em: 11/10/2011

Para os colegas da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, a formadora do curso de Humor Daniela Biancardi já era vencedora. Porém, ontem (10), essa opinião foi confirmada em uma noite de festa na Sala São Paulo, onde essa atriz e palhaça conquistou a 16ª edição do Prêmio Cláudia, na categoria Cultura.

 

Em um evento apresentado pelo ator Eduardo Moscovis, a diretora de redação da revista, Cyntia Greiner subiu ao palco para apresentar as indicadas ao prêmio. “Nossas finalistas deste ano dão um banho de luz no Brasil, mostrando como é possível mudar o desfecho da nossa história. Hoje tem festa no céu, 29 estrelas refulgem e cintilam apontando caminhos. Uma salva de palmas para elas”.

 

Iriny Lopes, ministra da Secretaria Pública para as Mulheres, foi responsável pela entrega do prêmio na Categoria Cultura, a primeira a ser revelada. Para ela, há 16 anos essa premiação mostra ao Brasil, à América e ao Mundo, a competência e capacidade das mulheres em todas as áreas. “Eu acho que todas elas já são vencedoras por terem chegado até aqui. Parabéns a todas, laureadas ou não, pela coragem de se inscrever e participar deste evento.”

 

Ao proclamar a formadora como vencedora, Iriny revelou que tem certeza que as outras duas concorrentes, se sentiram representadas e felizes pela escolha de Daniela Biancardi. “Eu não preparei um discurso de um minuto”, brincou Dani, no palco.

 

“Quero dividir e compartilhar esse prêmio tanto com quem eu conheci na África do Sul quanto para todas as crianças. Também com a minha mãe, Maria Antonieta, que não pode vir, pois está doente, e aos meus sobrinhos. Dedico este prêmio a toda artista palhaça e mulher com quem já cruzei pela minha vida. Nós continuamos, não existe fronteira porque rimos de nós próprias em primeiro lugar, não fazemos isso para salvar ninguém, mas sim para reconhecer um lugar aqui dentro de nós, invisível e desconhecido”, disse Dani em um depoimento emocionado.

 

Em relação ao prêmio, Dani revela que ficou muito feliz com a indicação, sobretudo, porque sentiu realmente a dimensão e alcance de seu trabalho. “O Prêmio é importante para que as mulheres continuem buscando espaço visível nas lideranças e para que não deixe de existir essa reflexão sobre o espaço da mulher no mundo.”

 

Um pedacinho da história da Dani

 

Estimulada por sua mãe a se envolver em projetos artísticos para superar a perda do pai, Dani levou a ideia a sério e se tornou palhaça cênica profissional e referência quando o assunto é humor para crianças e jovens de comunidades sem acesso à cultura. 
 
 

Hoje, aos 36 anos, vive do riso e da cultura e costuma dizer que não pratica o humor banal e superficial, “da graça pela graça”, e vê o palhaço como uma figura que nasce de uma urgência social, cultural e humana. “O palhaço é um agente provocador, que instiga as pessoas a pensar em uma sociedade diferente”, explica.

 

Dani já integrou a trupe Palhaços sem Fronteiras, ONG internacional que leva apresentações cômicas a zonas de conflito e exclusão. Viajou pela África do Sul e Lesoto, onde trabalhou em aldeias, com crianças portadoras de HIV e fez do seu trabalho uma ação social. A formadora conta que, durante suas viagens, percebeu que a maioria das crianças nunca havia visto um espetáculo, muito menos um palhaço. “Não era fácil para elas nem para mim. Então, procuramos alguma coisa para rir e brincar juntos”, relata.

 

Além dos projetos internacionais, Dani atuou, por três anos, com jovens de baixa renda no programa Teatro Vocacional, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Ainda no Brasil, participou de vários projetos do Sesc e do Instituto Vivo, no qual ministrou oficinas de humor e teatro na periferia de cidades do norte do País.

Texto: Renata Forato