Cursos de Extensão Cultural chegam ao fim

Publicado em: 04/07/2013

E enquanto o departamento de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco está com inscrições abertas para sete cursos, das mais diversas áreas, outros concluíram suas atividades nesta semana. Foram eles: “Teatro de sombras” e “Literaturas contemporâneas e fusão de linguagens”.

Ontem (3), os dois tiveram seu derradeiro encontro. Às 10h, o orientador Zhé Gomes, ator, diretor, iluminador e pesquisador em teatro de animação desde 1997, reuniu-se com seus alunos na Sede Roosevelt da Escola para, em clima de despedida, conduzir alguns exercícios práticos de manipulação, no curso “Teatro de sombras”, onde os participantes puderam aprender a trabalhar melhor com a iluminação, figuras opacas e translúcidas, telas e locais de projeção.

À noite, foi a vez de o escritor João Silvério Trevisan colocar as mentes de seus alunos para fervilhar no último dia de aula de seu curso, “Literaturas contemporâneas e fusão de linguagens”, na Sede Roosevelt. Logo na abertura do encontro, ele abordou o monólogo de Egisto, na peça “Oréstia”, do filósofo grego Eurípedes. O texto foi reformulado, em criação coletiva, pela classe. “Aqui, vemos quatro sentimentos que se misturam na fala da personagem: o ódio de Egisto a Agamemnon, medo, vingança e, por fim, a paixão que sente por Clitemnestra, a mulher de seu primo Agamemnon e de quem é amante. Há um monólogo interior em fluxo, mas é preciso pontuar bem essas emoções para que elas não se confundam no público”, observou Trevisan.

Para encerrar a noite, foi exibido o filme “Livro de Cabeceira”, de Peter Greenaway. No início do curso, o orientador pediu aos alunos que indicassem livros, filmes, músicas, que tivessem importância em sua formação como produtores de texto. A aluna Daniela Farias indicou o longa-metragem por ele conter elementos de hipertexto. O impacto da obra foi tão grande em sua trajetória acadêmica, que sua tese de mestrado, defendida ao longo do curso de Trevisan, foi montada seguindo esse padrão estético. “Aqui, vemos claramente o exemplo de uma fusão de linguagens. Gosto de chamar isso de ‘promiscuidade de linguagens’”, observou o orientador. Sem dúvida, uma conclusão com “chave de ouro”.
 

Texto: Esther Chaya Levenstein