Criatividade Musical

Publicado em: 05/07/2011

Os aprendizes de Sonoplastia do período matutino receberam, sexta-feira passada (1), a presença do artista sonoro Paulo Nenflidio. Sua palestra teve o intuito de trazer à sala de aula conhecimentos sobre hiper instrumento; desde como é feito até como é usado.

 

Após ter realizado algumas residências artísticas e diversas exposições de suas esculturas, Nenflidio veio à SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco transmitir informações essenciais aos aprendizes que, atualmente, estão no processo de construção de um hiper instrumento.

 

“Polvo”, que é como se chama uma de suas “invenções”, possui uma aparência muito semelhante à do verdadeiro animal. Possui uma estrutura central e dela, saem vários tubos, que representam seus tentáculos. O sistema tem sua funcionalidade baseada em ar comprimido, enquanto que o instrumento é feito, inteiramente, de tubos e conexões de PVC.

 

“O legal desse instrumento é que você pode fazê-lo inteiro, apenas, com materiais encontrados em uma loja de construção”, comenta Nenflidio. O palestrante diz, ainda, que usou válvulas de escape, conduítes, compressor e pressurizador para montá-lo. 

 

O ar localizado no compressor é liberado a uma pressão de 40 libras – a mesma utilizada em pneu de bicicleta – e passa pelas válvulas de escape de ar. A partir daí, o ar é encaminhado aos tubos posteriores, que possuem um diâmetro menor. “Fiz dessa forma porque, quando o tubo é mais fino, é necessário menos pressão. Se eu liberasse o ar nos tubos anteriores, que são mais grossos, o compressor não ia dar conta”, explica.

 

Quando, finalmente, o ar sai dos tubos, é produzido um som, que se torna mais agudo quando se aumenta a pressão. Para que o instrumento tenha um caráter estético de maior verossimilhança com o polvo, assim que o som é produzido, o pressurizador libera não só um jato de vapor d’água, como, também, um ruído. 

 

Outra escultura, como ele denomina seu hiper intrumento, é o “Monjolofone”, inspirada em um monjolo, maquina movida à água destinada à moenda de grãos. O instrumento possui estrutura de “gangorra”, com uma haste de madeira que possui um martelo em uma ponta e, na outra, uma espécie de cocho.

 

O sistema funciona da seguinte maneira: uma pessoa deve bombear água do reservatório aos tubos. Cada bombeada libera o equivalente a um litro. Os conduítes pelos quais a água vai passar, devem ser vedados com cola de PVC.

 

A partir disso, o movimento da água é rotativo; a água escorre, cai no cocho, a haste pende para o lado que pesar e, depois que a água escorrer de lá, pende para o lado do martelo, que se chocará com placas de metal, produzindo, assim, sons em diversas notas.

 

O formador Wilson Sukorski, que também estava assistindo à palestra, observou que o ritmo da música criada estará diretamente relacionado ao fluxo de água. O som se parece com o de um xilofone, lembrando as antigas caixas de música. Com relação à produtividade, Nenflidio explica que “o instrumento suporta de 10 a 20 litros de água e consegue produzir som durante 3 minutos ininterruptos”. 

 

Como o “Polvo” e o “Monjolofone” são de grande estatura, sua mobilidade fica comprometida. Em compensação, Nenflidio trouxe, para ilustrar a aula, muitas fotos, vídeos explicativos e um de seus intrumentos, o “Bicordio Infinito”.  

 

Quer saber mais sobre o Biocordio e outras “obras” de Nenflidio? Acesse o site: 

http://paulonenflidio.vilabol.uol.com.br/

 

Fotos: Jéssika Lopes