Conhecimento e Musicalidade

Publicado em: 05/05/2011

“Música é uma arte extremamente abstrata”, declara Martin Eikmeier, formador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. O sonoplasta é músico e compositor de diversas trilhas para cinema e teatro.

 

Sonoplastia é a comunicação feita com o público por meio de formas sonoras – músicas, ruídos ou, até mesmo, falas. Este termo é exclusivo da língua portuguesa e surge na década de 60 com o teatro radiofônico. A definição, antes restringida ao rádio, se estende ao teatro, cinema, televisão e web. Desde a época do rádio até atualmente, a música tem o propósito de causar identificação entre a cena e o público.

 

Em uma de suas aulas, Eikmeier fala sobre dois aspectos: música e narrativa, dizendo que a primeira precisa estabelecer uma correspondência com a segunda. Para tanto, a música não pode estar desgastada pelo uso, pois pode causar a vulgarização do tema trabalhado. 

 

“Quando o ato sonoro não possui a mesma força de antes, a cena não atinge o sucesso esperado”, diz Eikmeier. A melodia cria a exata identificação almejada quando se transforma em tema de algo, por exemplo, o som do tubarão. Quando se ouve aquela batida marcada, já se associa à imagem do animal.

 

O formador dá outro exemplo de estilo não desgastado, música em forma de hino. Ele cita a peça “Ubu Rei”, encenada, em 2010, por aprendizes do Módulo Amarelo, durante o Experimento. O sonoplasta conta que no momento em que o ator hasteava uma bandeira, ouvia-se, ao fundo, uma batida forte, em forma de marcha. “Nem precisou de letra, somente a música já nos causou a identificação pretendida”, finaliza o formador.