Com a Mão na Tinta

Publicado em: 13/05/2011

Não é raro ver aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco em aulas, em princípio, estranhas à temática de seu curso. Agora, imagine o seguinte: a turma de Atuação em uma aula de tinta nanquim. Segue-se, instantaneamente, a pergunta mais óbvia: o que a tinta nanquim tem a ver com atuação? E a resposta foi dada pelo formador Arturo Gamero durante o encontro.

 

Com os aprendizes espalhados pela sala, com potes de nanquim, papel e até bacias contendo uma mistura de água e tinta, Gamero explicou que se tratava de uma aula prática de experimentação e iniciação à pintura. Ainda sem ligação com a área de atuação, correto? Errado. 

 

Segundo o formador, a aula tinha como objetivo “introduzir à dinâmica da imagem. Assim, entender como o corpo da matéria é dinâmico, e não estático, trabalhar o improviso e transformar a interioridade em exterioridade”.

 

Para isso, os aprendizes fizeram pinturas com o nanquim em folhas de papel e também experimentaram jogar a tinta em bacias de água, enquanto observavam como ela se dispersava pelo recipiente. “Isso mexe muito com a sensibilidade, é uma concretização diferente. Tanto no papel como na água, a tinta toma seu próprio rumo”, comenta o aprendiz Fernando Farias.

 

Definida por Gamero como “perda gradual de controle sobre a matéria”, a experiência se relaciona também com o próprio texto trabalhado pelo Módulo Azul do Experimento: “Van Gogh: o Suicidado da Socidade”, de Antonin Artaud. Isso acontece por duas razões principais: a performatividade, Eixo Temático do Módulo, e pelo próprio texto ser sobre cultura. “Van Gogh fazia isso com as pinturas, essa ideia de deixar a própria matéria se expressar”, observa Gamero.

 

Assim, comprovamos, ao final da aula, que a pintura e atuação têm muito em comum.