Cláudio Fontana por Nanda Rovere

Publicado em: 27/03/2012

O Dia do Teatro é uma ótima ocasião para homenagearmos os atores brasileiros.

 

Por meio da arte, o homem exercita a sua relação com o outro, com o seu passado, presente e futuro. Além disso, o cotidiano fica mais interessante.

 

O teatro pode não ter o poder de mudar a nossa realidade, mas o bom teatro nos possibilita a crítica ao nosso modo de agir e pensar e, muitas vezes, nos indica caminhos de mudanças para a obtenção de um mundo melhor.

 

Comemorar o Dia do Teatro é valorizar a cultura brasileira e dar a atenção merecida aos nossos talentosos atores, possibilita que cada vez mais os cidadãos conheçam as personalidades que contribuem para que a magia do teatro fique acesa.

 

Falar sobre o ator e produtor Claudio Fontana (Claudio de Toledo Fontana) é colocar em evidência o trabalho de um artista que apresenta, além de talento para exercer o seu ofício, carisma e dedicação à sua profissão. Ele acredita no teatro como instrumento de reflexões sobre o homem e o nosso cotidiano.

 

Claudio Fontana é um dos artistas mais expressivos das artes cênicas na atualidade, com mais de 20 anos de carreira. Graduado em Economia e Administração pela Universidade de São Paulo, trabalhava numa empresa como gerente de marketing e fazia teatro amador no Clube Pinheiros de São Paulo, nos anos 1980. A magia do teatro “falou mais alto” e, depois de seis anos fazendo teatro amador, começou a dedicar-se inteiramente ao palco.

 

Conheci Fontana em seu primeiro trabalho profissional, “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, em 1990, sob a direção de Gabriel Vilela. O seu talento, em especial a sua presença corporal e vocal, chamaram a minha atenção, e, desde então, acompanho todas as suas realizações profissionais. Por este trabalho, recebeu o prêmio Apetesp de ator revelação.

 

No decorrer dos anos, participou de bons espetáculos ao lado de excelentes atores e foi dirigido por grandes diretores, como Marcio Aurélio, Enrique Diaz, Elias Andreato, José Possi Neto, entre tantos outros. Os espetáculos que participa demonstram uma trajetória eclética, com participações em dramas e comédias marcantes no cenário teatral brasileiro.

 

“Adivinhe Quem Vem para Rezar” certamente é um dos ápices de sua carreira, na medida em que teve a oportunidade de estar em cena ao lado do ator Paulo Autran, num texto em que o estreante autor Dib Carneiro Neto tratava com sensibilidade sobre a relação pai e filho.

 

Apesar de atuar com menor frequência na TV e no cinema, participou de produções interessantes, dentre as quais merecem destaque: “Deus Nos Acuda” e “Um Só

 

Coração”, ambas na Globo, e “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Seus Olhos”, no SBT. Acabou também de participar da série “Rei Davi”, da Rede Record. No cinema, viveu o jogador Zico no filme “Zico”, de Eliseu Ewald, e também atuou em “I Hate São Paulo”, de Dardo Toledo Barros.

 

Tem se dedicado, ainda, à função de produtor, em espetáculos em que participa como ator, “Andaime”, “Vestido de Noiva”, “Calígula”, “Hécuba”, entre outros, ou mesmo para trabalhos de amigos, como “Por Um Fio” e “La Musica”. Esta sua atividade, segundo depoimento que consta numa entrevista que me foi concedida para o site POP 4, na ocasião da estreia de “Calígula”, visa garantir o profissionalismo e competência nas atividades teatrais, bem como a valorização financeira do artista.

 

Nessa entrevista, também merece destaque o seu depoimento sobre a importância do teatro para a evolução humana. “O teatro possibilita o estudo contínuo e profundo do ser humano. Por meio do teatro, todos nós, espectadores e artistas, passamos a entender melhor a vida. A arte é o único instrumento capaz de revelar ao ser humano suas angústias e alegrias”, diz o ator. “O teatro educa, alerta, sensibiliza. Um povo sem teatro é um povo condenado à miséria espiritual”, finaliza.

 

Sou apaixonada por artes cênicas e tenho enorme prazer em assistir a espetáculos que suscitem reflexões e valorizem o humano, num mundo tão individualista. Claudio Fontana está sempre em busca de desafios, seja como ator e/ou produtor, e tem como meta a realização de trabalhos que contribuam para a valorização da reflexão na arte. Ele contribui para que o teatro continue pulsante.

 

Relembrar a sua trajetória é de suma importância para que haja registros de seu histórico profissional e para que o seu nome ganhe cada vez mais notoriedade, sobretudo para quem está conhecendo o universo do teatro nesse momento. Para conhecer todo o seu potencial, no entanto, nada melhor do que prestigiá-lo, já que novos trabalhos estão por vir: “Macbeth”, com direção de Gabriel Villela, terá a sua produção e a sua presença no palco. É visível a emoção com que interpreta e o prazer de estar em cena é contagiante. Ver a sua entrega ao tablado é um privilégio.

 

Um “viva” aos artistas que estão brilhando nos palcos do nosso País e um abraço especial para Claudio Fontana, que representa com maestria a riqueza do nosso teatro.

 

 

Veja os verbete de Nanda Rovere e Cláudio Fontana na Teatropédia.

 

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