Cenas de um Projeto

Publicado em: 27/09/2011

Os aprendizes do Módulo Vermelho estão com foco total em seus projetos. Assim, salas, corredores e o pátio da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco se transformam, quase todos os dias, em locais de ensaio e pontos de encontro onde estes grupos se reúnem e discutem, nos mínimos detalhes, todas as questões necessárias para montar suas apresentações do Experimento, etapa que será realizada no final deste ano.

 

Semana passada, dois grupos se organizaram no pátio da Escola para colocar em prática suas pesquisas sobre os temas que escolheram. Os aprendizes do projeto “O Viajante” propuseram trabalhar sobre o questionamento: “por que e para que ser artista?”.

 

O aprendiz de Direção Adalberto Lima explica, resumidamente, qual era o objetivo da concentração. “Nós decidimos recolher depoimentos de cada um dos integrantes do grupo sobre o questionamento central do nosso trabalho. Dessa forma, conseguimos refletir para desenvolver o resto.”

 

Uns expuseram suas opiniões em forma de representação cênica, alguns com o apoio de poemas e outros apenas contaram suas experiências. O aspecto em comum é que todos relembraram suas infâncias ao tentar buscar a tão esperada resposta. 

 

Isso, segundo Lima, se explica pelo fato de que é nessa época da vida que as pessoas têm seu primeiro contato com a arte. “O pessoal do grupo falou sobre circo, teatro, cinema e literatura. Às vezes, eles nem sabiam de fato o que estava acontecendo, mas já percebiam que havia uma pulsação diferente quando entravam em contato com essas artes e isso marcou a vida deles.”

 

Ainda no pátio, a cultura dos Orixás e de que forma ela reverbera no trabalho do ator foram assuntos discutidos “corporalmente”, pelos aprendizes do grupo “Clã do Jabuti”. Eles realizaram um “experimento prático”,no qual a dança fazia parte de um ensaio proposto por Rafael Teixeira, aprendiz de Humor, que, como diz Josyane Sousa, “praticamente nasceu em um terreiro”. 

 

Também aprendiz de Humor, Josyane explica o motivo de tanta agitação no pátio da Instituição. “Nós estamos realizando algumas danças que são feitas em terreiros para retratar os Orixás. A partir disso, tentamos traçar um paralelo com o trabalho que o ator faz com seu corpo”, finaliza. 

 

Texto: Jéssika Lopes