Bailarino Augusto Omolú Morre na Bahia

Publicado em: 03/06/2013

O Brasil perdeu, ontem (2), um de seus grandes artistas. Logo pela manhã, o ator, bailarino e coreógrafo Augusto José da Purificação, mais conhecido como Augusto Omolú, foi encontrado morto em sua chácara, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, com marcas de perfurações pelo corpo.

 

A forma brutal com que a trajetória do professor e assistente de direção do Balé do Teatro Castro Alves foi interrompida, aos 50 anos, chocou a população baiana e de todo o País. Há indícios de que uma luta aconteceu dentro da casa, mas o autor do crime ainda não foi identificado.

 

Curso “A Dramaturgia da Dança dos Orixás – Workshop Internacional para Atores, Coreógrafos e Bailarinos”, ministrado por Augusto Omolú em 2012 (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Omolú era um dos mais conceituados bailarinos e coreógrafos da Bahia. Reconhecido internacionalmente, era mestre da Ista (International School of Theatre Anthropology) e integrou uma série de trabalhos de pesquisa conduzidos pelo diretor italiano Eugenio Barba, no Odin Teatret, na Dinamarca. 

 

Em setembro do ano passado, o artista esteve na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, onde ministrou o curso de Extensão Cultural “A Dramaturgia da Dança dos Orixás – Workshop Internacional para Atores, Coreógrafos e Bailarinos”.

 

Amigo de Omolú, o formador do curso de Atuação da Escola Filipe Brancalião lamentou profundamente a notícia: “Triste. Um mestre na Terra se junta aos mestres Orixás no Orum! Que todos os santos te amparem na chegada, Augusto Omolú!”.

 

Ana Carolina Marinho, que concluiu os quatro módulos do curso de Atuação e que também participou do curso de Extensão Cultural, falou: “Augusto Omolú foi tão arrebatador nessa jornada em São Paulo. Foram dias cheios de rigor e força. Eu me lembro de ter reencontrado o guerreiro dentro de mim. Que os guerreiros o levem em paz. Fica aqui o meu carinho e respeito”, disse.

 

Em homenagem a esse mestre e grande expoente da arte produzida na Bahia, confira uma galeria de fotos que registram sua passagem pela Escola. Assista, também, a um vídeo do primeiro dia de aula de seu workshop, bastante concorrido, aliás.

 

E, para amenizar sua ausência, uma mensagem que ele mesmo deixou no encerramento do curso: “Agora vamos caminhar juntos. Vocês não podem se esquecer do que aprenderam. Trabalhem com amor e esforço. Com isso, é possível dar vida a tudo que imaginamos”, disse ele, que conseguiu materializar seus ideiais em forma de dança. Adeus, Omolú!

 

 

Texto: Felipe Del

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