Ateliê: A Reunião dos Cursos Regulares

Publicado em: 22/02/2013

O encontro entre as diversas áreas que fazem parte de uma montagem teatral é um dos suportes pedagógicos sobre os quais se apoia a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Essa confluência se manifesta, por exemplo, nos Experimentos, etapa em que aprendizes de todos os Cursos Regulares se reúnem em núcleos para trabalhar um projeto conjunto.

 

Neste semestre, outro tipo de atividade proposta pela Pedagogia vai fortalecer ainda mais esse diálogo: os Ateliês, encontros pontuais entre os aprendizes de dois cursos. 

 

A primeira ação desse processo de trabalho já aconteceu ontem (21), na Sede Roosevelt da Instituição, com os aprendizes do Módulo Azul (período matutino). Dessa forma, os matriculados em Humor deram as mãos para os de Direção, os de Cenografia e Figurino para os de Técnicas de Palco, e os que estudam Sonoplastia interagiram com os que cursam Iluminação.

 

Sob a orientação das formadoras Bernadeth Alves e Daniela Biancardi, os aprendizes de Direção e Humor focaram em um estudo de movimento cujo objetivo era “transpor uma obra das artes plásticas para o corpo sem representá-la”, como definiu Dani. Assim, foram oferecidas várias imagens aos participantes e os aprendizes de Direção puderam entrar em contato com o processo criativo do humor e os aprendizes de Humor tiveram a chance de se aproximar do olhar dos diretores. 

 

No Ateliê que agrupou Cenografia e Figurino e Técnicas de Palco, a proposição de Adriana Vaz e Viviane Ramos, formadoras dos respectivos cursos, foi a seguinte: a de separar os aprendizes em cinco grupos e provocar cada um deles com um texto – extraído da obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que serve como Operador do Módulo – e duas imagens relacionadas ao tema. “A partir disso, eles discutiram como utilizar os materiais apresentados e criar uma instalação”, comentou Adriana.

 

Já os aprendizes de Sonoplastia e Iluminação, acompanhados pelos formadores Martin Eikmeier e Grissel Piguillem, foram convidados a relacionar luz e som a partir de imagens do filme “Metrópolis”, do cineasta austríaco Fritz Lang, e do vídeo “Seventh Sense”, do Anarchy Dance Theatre e Ultra Combos, que mistura novas mídias e dança. “Além de trabalhar a criação livre, lançamos uma discussão sobre o papel de tecnologia, abordando o risco de ser ‘engolido’ por ela, de se deixar levar pelo espetáculo da tecnologia e não conseguir dizer efetivamente nada”, afirmou Eikmeier.

 

Segundo Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Escola, os Ateliês são o momento de criar e aprofundar as relações entre as áreas, beneficiando também o processo de criação que se dá nos Experimentos. “No teatro tradicional, existe uma hierarquia muito rígida, na qual as proposições partem quase sempre das mesmas áreas. Nossa intenção é a de repensar essas hierarquias, descobrindo novas formas de trabalhar em coletivo”, disse Gama.

 

 

Texto: Felipe Del