As Diferentes Vertentes Artísticas

Publicado em: 03/06/2011

Realismo, Expressionismo/Simbolismo e Impressionismo são os movimentos artísticos estudados pelo grupo Um do Experimento do Módulo Verde. Com base nisso, eles aplicaram os conceitos de cada um nas relações interpessoais das personagens de “A Gaivota”, de Anton Tchecov.

 

Durante as pesquisas, os aprendizes de Atuação foram percebendo quão profundas e complexas são as personagens. “Nesse texto de Tchecov, não existe protagonista e coadjuvante; cada uma possui uma história de vida interessante a ser explorada”, explica a aprendiz Renata Konsso, que interpreta Marcha.

 

Os motivos e consequências das discussões sobre arte entre as personagens, também são abordados pelos atores. A aprendiz Ariane Alves acha que os conflitos externos existentes partem, quase sempre, de um problema interno. “Quando eles discutem as formas de se fazer arte, na verdade, é uma forma de extravasarem seu lado pessoal.”  

    

Trepliov, personagem vivido por Nilton Melo, é um aspirante a escritor que escreve uma peça. A cena dele será apresentada pelo grupo de forma bem fiel ao texto original. Para que seja cumprido o proposto, os atores vão ter um árduo trabalho. “Isso é difícil, pois interpreto o médico da família, uma pessoa muito séria e contida. Já eu sou expansivo, falo muito e gesticulo”, explica o aprendiz Walter Bastos, que dá vida a Dorn.

 

A aprendiz de Atuação Ariane Alves concorda com uma frase de Tchecov sobre sua personagem, na qual ele diz que a história de Nina representa a trajetória de uma atriz. “No começo ela é ingênua, inocente, possui muitas vontades. Depois ela sofre uma forte desilusão e termina bem amadurecida. Acredito que seja assim que caminhamos até sermos, de fato, atrizes”, conclui Ariane.

 

A turma de Cenografia projetou o palco de forma que o público conseguisse ver e sentir a progressão dos movimentos artísticos na peça. “Considerando a profundidade do palco, a primeira parte é toda Expressionista/Simbolista, a segunda é Impressionista e a última, Realista”, diz a aprendiz Thaíssa Landucci. 

 

Ela comenta que esse choque entre as vertentes artísticas é melhor visto na peça de Trepliov. No texto original, há uma peça sendo encenada, é nela que ele tenta inovar os padrões da época.

 

Com relação aos recursos sonoros da apresentação, os aprendizes tentaram utilizar sons que provocassem exatamente as emoções das personagens. “É um trabalho de ambientação para que o público compreenda a história em todos os aspectos”, explica o aprendiz de Direção Eduardo Gutierrez.

 

Como a peça se passa em um parque, localizado na fazenda de Sorin, irmão de Arkádina, o pessoal de Iluminação buscou tons de luz que transformassem o palco em um ambiente campestre. Vermelho e marrom claro (tom de folhas secas) são as cores que predominarão durante a apresentação.

 

A aprendiz de Dramaturgia Adriana Giamvecchio explica que o texto de Tchecov possui muitas informações nas entrelinhas. “Na Rússia do século XIX, fazer uma crítica social não era algo fácil e bem aceito. Portanto, essa era a forma de Tchecov expor sua opinião dele.”

 

Além de, Adriana, Gabriela Alkmin e Camila Rafael tiveram um mês e meio para ler e reler o texto antes de chegar ao resultado proposto. “Foi muito trabalhoso e enriquecedor para nós realizar esse projeto, pois compreender a história, fazer recortes e montar nosso texto para ser apresentado em apenas 15 minutos, é, no mínimo, desafiador”, finaliza Gabriela.

 

* Foto da capa apenas ilustrativa | Arquivo SP Escola de Teatro