Aprendizes em Foco – Vitor Djun Yamaguchi, aprendiz de Sonoplastia

Publicado em: 21/06/2010

Iniciar um curso de sonoplastia com um panorama da área pode parecer trivial, mas não é. A divergência de ideias e conceitos a respeito da profissão sonoplasta surpreendeu os alunos nas primeiras aulas. Mas mais do que responder certas questões, faz-se necessário levantá-las: o que é, quem faz e quando se faz a sonoplastia.
O termo surgiu na década de 60, e é exclusivo da língua portuguesa. E mesmo entre profissionais da área, há uma certa indefinição na hora de se designar a atividade do sonoplasta com outros profissionais da área, como o operador de áudio, o técnico de som, etc.
Como intuito comunicativo, uma das dificuldades do trabalho reside no distanciamento dos gostos e referenciais sonoros puramente pessoais, tendo como foco o uso de sons que atinjam um significado em caráter o mais universal possível. Um tipo de música, um instrumento, ou uma sonoridade – não é incomum que o artista crie certos vínculos com elementos que podem nos confundir sobre o que realmente é válido ser usado ou não.
Cabe ao sonoplasta a tarefa de refletir não só sobre o que ele ouve, mas sobre como as demais pessoas recebem os sons, e que tipo de influência pode-se exercer sobre uma mensagem.
O aprendizado das tecnologias e equipamentos sonoros vem ocorrendo de maneira gradual. Na medida em que os bichos de sete cabeças vão se desmitificando, o “saber falar” torna-se menos dificultoso, e dessa vez cede lugar ao verdadeiro segredo da sonoplastia: ter consciência da sua dramaturgia, compreender principalmente “o que” e “quando” falar.
A sonoplastia tomou espaço na minha vida, enquanto estudante de música, para agregar ideias que na maioria das vezes foram consideradas defasadas e menosprezadas.
Aqui encontrei espaço também para ruídos, músicas sem notas definidas e demais sons desordenados que seriam tratados simplesmente como poluição sonora.
O estudo da sonoplastia vem consistindo em um despertar para uma escuta mais atenta, e uma relação com sons mais criativa.
Saiba mais
Vitor Djun Yamaguchi é aprendiz do curso de Sonoplastia. Entre os anos de 2001 e 2010 cursou a Universidade Livre de Música do Estado de São Paulo. Passou por vários cursos, como canto coral, violão erudito, guitarra, prática de arranjo e tala. Formado em Rádio e TV, pela Universidade Bandeirante, foi aluno monitor da disciplina de edição de áudio, onde nasceu seu interesse pela sonoplastia. Atualmente trabalha com o Nohgátikus, grupo de teatro surgido no departamento de artes cênicas da ECA, na USP. O grupo desenvolve pesquisas de métodos de abordagem do teatro japonês, a partir de uma peça brasileira de Gianfrancesco Guarnieri , “Ponto de Partida”.
Veja ao lado vídeo desenvolvido em aula da SP Escola de Teatro