Aprendiz em Foco | Victor Hugo Valois

Publicado em: 13/09/2012

Mato Grosso e Joca sofreram quando “os homi” demoliram seu “palacete assombradado”, na Rua Aurora. O dono do terreno situado no centro de São Paulo queria construir um “edifício arto” e aquela “casa véia” precisava sair dali. Do monte de “táubas” pelo chão, a morada que abrigara “dias feliz” deixou saudade.

 

O refrão de “Saudosa Maloca”, de Adoniram Barbosa, ecoava na cabeça do menino Victor Hugo Valois quando, aos 13 anos, escreveu o livro homônimo. Em 2010, o baiano lançou o livro na capital soteropolitana e em agosto  desse ano autografou a obra na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Hoje, aos 24 anos, aprendiz do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco aproveita o intervalo das aulas e nos conta sobre suas influências e seus novos projetos.

 

“Quando eu era criança, já escrevia pequenas histórias e sonhava ser autor de novela.” Da literatura para o teatro, a distância foi de poucos passos. Aos 14 anos, Valois entrou no Grupo Caricaturetas, criado, em 1985, por alunos do Colégio Marista de Salvador. No tempo em que participou do coletivo, escreveu cinco peças, das quais, três foram encenadas.

 

Sobre autores que o inspiram em literatura e dramaturgia, Victor é rápido: “Gosto de Machado de Assis pela forma como ele trata da psicologia dos personagens e a franqueza na expressão dos sentimentos. No teatro, Dias Gomes, pelas suas peças, telenovelas e também por estar mais próximo de mim. Em vida, ele frequentou a mesma escola que eu, em Salvador”.

 

Entre o gosto pela escrita, leitura e o palco, Victor ainda tinha mais um sonho de infância. “No final do ano passado me formei em Medicina.”, conta sorrindo. Ainda que as atividades pareçam não se relacionar, ele consegue conciliar seu apreço pelo jaleco e pelo texto dramatúrgico: “Ser médico é muito mais que lidar com uma doença. Você tem a chance de conhecer a história do paciente, seus medos, sua família e isso me dá material para escrever.”

 

E escrever é uma arte na qual Valois decidiu se aprimorar. Assim, no início desse ano ele veio a São Paulo para participar do processo seletivo na SP Escola de Teatro. Aprovado e agora cursando o Módulo Amarelo, ele conta que projetos não faltam, o que não ajuda são os ponteiros do relógio. “Estou com um projeto individual para a Escola e no meio de uma trilogia infanto-juvenil. Além disso, tenho o trabalho como médico e as aulas de Dramaturgia. Ah, e ainda quero readaptar uma obra da minha mãe que também é escritora.” Sob rumores do fim do intervalo e  movimentação nos corredores, Victor Hugo Valois finaliza: “Quero cumprir tudo isso e partir para novas ideias, mas o que preciso agora é de mais tempo”,  brinca. 

 

Texto: Leandro Nunes