Antes de começar o dia

Publicado em: 07/04/2010

O dia amanhece chuvoso na SP Escola de Teatro. Uma chuva fina, como se fosse névoa. Aos poucos, guarda-chuvas de diversas cores adentram o portão principal do prédio. São os aprendizes que chegam cedo para as aulas dos Cursos Regulares, que têm início às 9h. Uns, sem proteção, chegam correndo para não se molhar na distância de três quarteirões que separa o metrô Brás da Instituição.

Protegidos da chuva, a movimentação começa nos corredores. Gustavo Gonçalves, aprendiz do curso de Humor, conversa sobre o manifesto que organizou em casa com seus amigos: “Suassuna na SP Escola de Teatro”. Com apenas um exemplar do cartaz que fez, ele pretende tirar cópias e espalhar o manifesto. “A história do teatro brasileiro está presente nesse homem. Já presenciamos Marisa Orth e Zé Celso aqui. O meu sonho é ver uma palestra com Ariano Suassuna”, conta.

Enquanto as aulas não começam, Adalberto Lima, aluno do curso de Direção, faz anotações das peças que assistiu no final de semana para apresentar na aula-encenação, com o formador Ruy Filho. “Estou escrevendo o que eu vi para não esquecer”, comenta.

Na sala de Dramaturgia, no último andar do prédio, os aprendizes se acomodam para assistir ao filme “Roma, Cidade Aberta”, de Roberto Rossellini, dentro da aula Percepções: Ver, Ouvir e Sentir, ministrada pelo formador convidado Newton Moreno. Após a exibição, os aprendizes vão organizar uma proposta de encenação, tendo o filme como ponto de partida. O relógio aponta quase 9h e todos caminham para as salas de aulas. O corredor fica vazio. Gilberto Freitas, aprendiz de Humor, entra correndo na sala: “Esse é o melhor horário. Todo dia de manhã temos aula de relaxamento. Sem dúvida, a melhor maneira de começar o dia”, conclui.

Texto: Lucas Arantes / Fotos: P. Silva / SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco | 07/04/2010