Alessandro Toller comenta os experimentos cênicos do Módulo Verde

Publicado em: 06/07/2016

No último sábado, os aprendizes do Módulo Verde da SP Escola de Teatro concluíram o trabalho ao qual vinham se dedicando desde o início do semestre. Sob o eixo personagem/conflito, estudantes dos oito Cursos Regulares se uniram em grupos para criar cenas, sob influência do disco “A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares, e da obra da escritora nigeriana Chimamanda Adichie.
 
Os coletivos já haviam apresentado suas cenas em dois estágios: um inicial, com um trabalho mais incipiente, e um intermediário, com um resultado um pouco mais avançado. Esta terceira abertura de experimento teve um caráter maduro, com evoluções e arestas aparadas.
 
 
O formador do Curso Regular de Dramaturgia, Alessandro Toller, acompanhou a execução das cenas e classificou o trabalho como muito positivo. “As apresentações tiveram muita qualidade, foi possível ter uma clareza muito grande de que com uma dramatugia mais consistente, os aprendizes se apropriam melhor das obras”, aponta. Para ele, a maior parte dos grupos se desdobrou sobre os trabalhos existentes nas aberturas anteriores, identificando que, desde o início, as cirações eram fortes.
 
A escolha de Chimamanda como operadora do Módulo, segundo o formador, trouxe o entendimento do que significa a ideia de “sejamos todos feministas”, que dá nome a um de seus livros. “Todos nós — homens ou mulheres — estamos intrinsecamente ligados a esta cultura dominadora, masculina e patriarcal que é avassaladora”, diz, frisando que as cenas trouxeram clareza de que a situação é um problema de todos.
 
O eixo personagem/conflito também foi bem absorvido pelos grupos. Toller destaca que, embora algumas cenas tenham sido curtas, foi possível ver o corpo de todos os personagens: suas faces, características e, principalmente, suas ações dentro das histórias. “Isso ocorreu em todos os as áreas, a dramaturgia, a atuação… Não houve algo fora, ninguém excluído. Todos estavam inseridos na discussão artística.”
 
 
A sensação dos aprendizes ao término do experimento funciona como um bom termômetro para entender o significado do trabalho. “Eles tiveram o prazer de ter concluído uma jornada, mas não só”, diz Toller. “Tinha o prazer de ter feito, mas, principalmente, o prazer de ter bem feito. Não foi apenas bem executado, eles entenderam onde estavam no começo do semestre e onde chegaram agora”, analisa. Para o formador, o que interessava ocorreu: todos lidaram com a experiência critavia voltada para construir a discussão.
 

Com a conclusão dos trabalhos do Módulo Verde, o semestre chega ao fim na SP Escola de Teatro. No fim de julho, a Instituição dá início a mais seis meses de atividades, com a vinda dos Módulos Amarelo e Vermelho, com muito trabalho e ótimos experimentos cênicos por vir. 




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