"Agreste" no Território Cultural

Publicado em: 16/08/2010

No último sábado (14), ansiosos, aprendizes faziam fila em frente a uma das salas da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, aguardando uma apresentação exclusiva de “Agreste”, durante o Território Cultural.

 

De autoria do pernambucano Newton Moreno e com direção de Márcio Aurélio, o espetáculo faz os atores Joca Andreazza e Paulo Marcello se desdobrarem em dezenas de personagens para narrar uma fábula que fala sobre o amor incondicional, a ignorância e os preconceitos.  

 

“Agreste” trata da intimidade e recorre a elementos do imaginário sertanejo em um cenário marcado pela seca, onde pedras, blocos de concretos, pedaços de madeira e aratacas para amarrar lençóis se transformam em um muro que segrega os colóquios entre os inúmeros personagens dessa tragédia. Focos de luzes traiçoeiros e projeção de fotografias em um antigo retroprojetor trazem encanto às soluções plásticas do cenário.
A subjetividade emociona em “Agreste”, principalmente no momento em que os atores deixam o fogo de um candieiro consumir e deixar voar em chamas um balãozinho feito de papel de seda magicamente dobrado pelas mãos do ator Joca Andreazza. Uma pequena casa, também consumida pelo fogo, surpreende o fim sensível e trágico desse enredo.
O espetáculo, que estreou em 2004, atraiu espectadores não só em diferentes cidades do Brasil, como também no Chile e em Berlim e volta novamente a excursionar pelo País, a partir da próxima semana, junto com “Anatomia Frozen”, ambas montagens da Companhia Razões Inversas.
Após a apresentação, os atores iniciaram um debate sobre o teatro épico e a construção do espetáculo e explicaram aos aprendizes que o emprego da música, as constantes trocas de papéis entre os atores e os saltos no desenvolvimento da trama fazem relação entre esse gênero e o espetáculo. “Certo dia, ouvi um espectador dizer que não conseguia compreender o Teatro Épico e, depois de assistir ao espetáculo, saiu da fantasia e da teoria e conseguiu entender de forma mais objetiva e real as características desse gênero”, explica Paulo Marcello.
Ainda segundo Paulo Marcello, uma palavra vazia não leva a nada e é preciso o máximo de objetividade retórica para conseguir o máximo da subjetividade estética na construção poética. “Corpo, voz, gesto, pausa, respiração. Sonoridade leva o pensamento, as imagens não precisam ser explicadas.”
Rafael Araújo gostou da possibilidade de ver “Agreste”, montagem que considera um símbolo do Teatro Épico. “Assistir ao espetáculo me lembra que o épico não trata só de algo que se relaciona à política; ele é troca de experiência, corpo, voz, comicidade e comunicação. Tudo a ver com o teatro de rua, gênero no qual pretendo me especializar.”
“Estou duplamente satisfeito por estar aqui rodeado de pessoas cheias de expectativas e entusiasmo, e, também, por inaugurar com ‘Agreste’ um espaço para apresentação de espetáculos na SP Escola de Teatro”, finaliza Joca Andreazza.