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A Sonoplastia da SP Escola de Teatro Ecoa na Venezuela

Publicado em: 04/04/2013

Por Raul Teixeira*, especial para o Portal da SP Escola de Teatro

 

 

Martin Eikmeier e eu visitamos a capital venezuelana, Caracas, entre os dias 19 e 25 de março, período em que ministramos um curso de sonoplastia para técnicos, atores, diretores e músicos daquele país, com o objetivo de mostrar a eles a dramaturgia sonora e os estudos realizados pela SP Escola de Teatro nesta área.

 

O convite, que muitos nos honrou, partiu do Centro de Cultura Chacao, do Instituto de Cultura Brasil/Venezuela e do FIT (Festival Internacional de Teatro) de Caracas. Ao longo de cinco dias desenvolvemos algumas atividades em sala de aula e, resumidamente, discutimos e analisamos teoria e prática, além de outros temas de importância sobre como pensar e criar trilhas sonoras a partir de textos teatrais.

 

A cronologia do encontro foi a seguinte:

 

No primeiro dia, realizamos um tour pelo Centro Cultural Chacao, local de intercâmbio cultural de Caracas, que mantém diversos espaços para ensaios e cursos de música, teatro e dança. O local também ostenta um belíssimo teatro com capacidade para 600 pessoas, totalmente equipado e com técnicos qualificados em todos os setores relacionados. Durante nosso encontro descrevemos a estrutura da SP Escola de Teatro, que despertou grande interesse dos participantes pela metodologia adotada, inovadora e estimulante, e a maneira pela qual se executam as práticas dos cursos. Partimos depois para o entendimento da dramaturgia sonora, a partir de temas ligados a este tipo de criação e a importância da interação entre música, som e texto numa obra a ser encenada.

 

No segundo dia, o assunto foi a história da música e do som no cinema e no teatro, desde o surgimento da sétima arte e de seus primeiros aparatos, e como estes elementos influenciaram decisivamente no discurso da produção cultural no mundo. Fizemos uma análise detalhada de alguns filmes representativos de tais mudanças, entre os quais “Cantando na Chuva” e “Apocalipse Now”.

 

Seguindo nossa trajetória, passamos para um exercício de análise de texto e de seleção musical par as cenas 4 e 5 de “Hamlet”, de Shakespeare  (encontro  entre o personagem e o espectro do pai), e propusemos que cada um trouxesse uma música representativa do trecho discutido. Foi uma experiência inovadora para todos nós, e pontos de vista distintos se desdobraram na produção de uma trilha, produzida por dois grupos.

 

Daí partimos para a gravação de sons ao vivo (utilizando gravador Zoom), para a escolha de músicas que se ajustassem à produção da trilha sonora das cenas acima citadas e para a prática de softwares de edição (Logic) e performance ao vivo (Live). Também tivemos contato com equipamentos e procedimentos de operação de som. A prática de operação aconteceu dentro do Teatro Chacao, onde atentamos para as diferenças na execução de uma trilha, compreendendo assim a importância da espacialização sonora no teatro.

 

Nos comentários finais, muitas ressalvas ao tempo curto para se discutir, praticar  e assimilar conhecimentos. Temos certeza, no entanto, de que ficou uma provocação, uma semente, um incentivo sui generis na maneira de ouvir e, principalmente, de escolher músicas e sons de trilhas para teatro e cinema. Todos os participantes demonstraram muita disposição em realizar o curso completo, e quem sabe possamos em breve firmar um acordo com a SP Escola de Teatro para sedimentar ainda mais novos repertórios.

 

Raul Teixeira durante oficina (Foto: Acervo pessoal)

 

Acreditamos que o teatro latino-americano precisa ser renovado e que as relações de troca para a transmissão e aplicação destes ensinamentos deveriam ser mais constantes, para que profissionais de distintos segmentos que nele atuam passem a fazer parte da excelência da criação sonora. Como afirmou um de nossos alunos na ocasião, “somos todos artistas”, e é justamente esta a proposta da SP Escola de Teatro: fornecer instrumental de qualidade para que aflorem os criadores e artífices que habitam em cada um de nós. 

 

Não resta dúvida de que cumprimos um papel importante de estímulo e que deixamos uma missão para os pioneiros venezuelanos: que eles deem continuidade às práticas de sonoplastia por intermédio de cursos de softwares e de mesa digital.

 

Em suma, podemos dizer que a experiência foi muito “chévere” (termo em espanhol que se aplica a uma pessoa, coisa ou situação boa, excelente ou agradável) e esperamos pode firmar e concretizar este intercâmbio com o país vizinho, estreitando os laços entre Venezuela e a nossa Escola.

 

 

 

* Raul Teixeira é sonoplasta e coordenador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro

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