A Mentira dos Materiais

Publicado em: 30/05/2013

Cheiro de tinta, solvente, cola. Ao olhar o entorno, vê-se bastante madeira, latas, e vários outros tipos de objetos utilizados no dia a dia. O ambiente descrito é o do Ateliê da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Ali, o artista residente do curso de Técnicas de Palco, Igor Martins, conduz, atualmente, os estudos do componente Mentira dos Materiais. Nas últimas semanas, as aulas ministradas por ele abordaram próteses e formas. “Nesse componente, pesquisamos vários tipos de material, investigando tanto as matérias-primas como seus efeitos de utilização”, explica.

 

Dando continuidade a essa pesquisa da tecnologia dos materiais utilizados na cenografia, hoje (29), os aprendizes envolveram-se em um exercício de efeitos especiais com próteses de látex. Depois da preparação, o objetivo foi atingido: a simulação de feridas e machucados dignos de filmes de terror, com muito sangue e em carne viva.

 

Segundo Martins, o recurso é amplamente utilizado em cinema, teatro e televisão, e as aulas desse tema, que vão até a semana que vem, proporcionam um entendimento da amplitude das maneiras como se podem empregar os materiais. “As atividades deram muito certo. Apesar de demandar bastante tempo, conseguimos produzir muito rapidamente”, comenta.

 

Em uma breve visita pelo Ateliê, é possível encontrar os resultados de outras aulas e exercícios desse componente: uma série de máscaras, adereços e moldes. Tudo feito em argila, silicone, espuma, cada qual criado a partir de um modo de fazer específico. 

 

Glória Amaral, aprendiz do curso, está aproveitando as aulas que, segundo ela, estão mudando sua forma de ver o teatro: “Como sou atriz, estava acostumada a enxergar a cena de uma maneira. Agora, trabalhar com os materiais e entender como eles são aplicados na cena me faz compreender melhor esse processo e perceber que os técnicos também são artistas pensantes”.

 

 

Texto: Felipe Del