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A dicotomia entre a terra e a cidade

Publicado em: 28/05/2010

Cerca de 8% da poluição emitida no Brasil é produzida pela massa de veículos  existentes na capital paulista. O Guarani Cacique Timóteo Verá Popyguá, convidado para o terceiro dia do projeto SP Escola de Teatro – Encontros Notáveis, ao lado de Casemiro Tércio de Carvalho, coordenador de Planejamento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, sentiu na pele esse problema. Ele acabou chegando atrasado ao Aliança Francesa, na tarde desta quinta-feira, 27 de maio, depois de ter ficado preso no trânsito da Avenida 23 de Maio.

 

“No primeiro dia do encontro falamos sobre poesia, com Adélia Prado, no segundo dia conversamos sobre espiritualidade, com Monja Coen e hoje, vamos falar sobre a terra, com esses dois convidados”, comenta o mediador do debate e crítico teatral Jefferson Del Rios ao abrir a palestra.

 

Casemiro Tércio de Carvalho expôs suas ideias sobre meio ambiente e qualidade de vida. “Como falar sobre esse assunto sem ser eco-chato ou bio-desagradável”, pergunta o palestrante, provocando risadas na platéia. Tércio enfatizou que ser ambientalista não significa só plantar árvore, mas adquirir pequenas ações ecológicas no dia-a-dia, que fazem toda a diferença.

 

“Ser culto não significa ter uma questão ambiental incorporada. Esse conhecimento é de outra ordem, que deve ser adquirido na prática”, finalizou Tércio, antes de passar a palavra para o  Guarani.

Argentino, Popyguá veio para o Brasil trazido pelos pais para morar em uma reserva no Paraná até se mudar, em 1987, para Parelheiros, em São Paulo. Com aproximadamente 120 famílias em um espaço de 26 hectares, a aldeia Guarani Tenondé Porá elegeu Popyguá como Cacique.

“Nossas crianças da tribo são educadas para ouvir passos a um quilômetro de distância. Desde pequenas, aprendem o uso de ervas medicinais e a função das árvores e plantas da aldeia, dentre outros conhecimentos práticos sobre a terra”, revela o Cacique.

Apesar dessa dicotomia entre o campo e a cidade, os dois convidados enfocaram um ponto fundamental: as crianças são o futuro de toda a nação e merecem a melhor educação possível.

“Tenho sangue indígena e fiquei muita curiosa sobre o assunto. Gostei de ter vindo para conhecer um pouco mais dessa minha outra realidade”, afirma a cantora e atriz Desiree Furtado.

No final, após considerações e reflexões, muitas dúvidas sobre os próximos objetivos da humanidade, entre eles trazer quem está na pobreza para a linha de conforto e quem está na categoria de hiper-consumismo, para um equilíbrio. Será possível?

 

Texto e Fotos: Lucas Arantes