A Arte da Transformação

Publicado em: 28/03/2011

Convidado pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, o ator Ricardo Joven, da Cia. Teatro Del Temple, de Zaragoza, na Espanha, participou de uma oficina na qual falou do processo de transformação que ele utiliza no espetáculo “Yo Mono Libre”, que foi apresentado na quarta edição do Festival Iberoamericano de Teatro.
 

A peça é uma versão de “Comunicação a Uma Academia”, de Franz Kafka, um dos maiores escritores de ficção alemã do século XX. “Yio Mono Libre” propõe uma aproximação a um processo de mudança de uma personagem, oferecendo-lhe ferramentas para acalmar um angustioso estado de alarme provocado por seu instinto de sobrevivência.
 

Joven, que é ator desde 1972, se destaca como um dos principais artistas de Aragon, na Espanha. Entre seus trabalhos destacam-se “Andalán”, “El Pollo Urbano” e “Fotogramas”. Participou da criação de publicações como “Zeta”, “Bustrofedom” e “TVO”, ao mesmo tempo em que coordenava diversas jornadas culturais de quadrinhos, patrocinadas pela prefeitura de Zaragoza.
 

Ele colaborou como articulista, desenhista e crítico especializado para a revista semanal “Zaragocio” e, ainda, publicou artigos sobre teatro como colaborador fixo para a revista cultural “ACTUM”.
 

“O teatro trabalha com o sagrado e o profano. Nele há a necessidade de compartilhar histórias, dando ênfase à emoção”, disse o ator logo no início da oficina.
 

Joven se baseou na utilização de máscaras para estimular a reflexão sobre o uso das mesmas. Para isso, mostrou exemplos do uso delas na Itália, na Espanha e na África. “As máscaras e o uso delas se transformaram ao longo do tempo. Na maioria dos lugares, elas estão ligadas ao teatro popular e às festas. Sempre houve uma ligação com a música”, conta o espanhol.
 

Durante o evento, ele mostrou o processo de transformação em que se submete para interpretar um macaco que aprendeu a se comportar tal qual um humano, após ter sido capturado por uma companhia de circo. Perante o espelho, vê-se, de fato, um homem modificar-se por completo e tornar-se um símio. O ser humano, no camarim, se despede aos poucos e a expressão de um primata começa a tomar forma. O que se vê é uma mistura de selvageria e civilização.
 

No fim, as máscaras, tema da oficina, ganham uma definição do profissional que tanto recorre a elas em todo processo de transformação. “As máscaras, para mim, são elementos de encantamento”, conclui Joven.