11ª Edição do FIT

Publicado em: 07/07/2011

A partir de amanhã (07/07), Rio Preto, cidade do interior de São Paulo, vai se tornar um grande palco para manifestações artísticas com a chegada da 11ª edição do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT).

 

Com a proposta de se reciclar e propor conceitos, este ano, o festival selecionou 39 projetos que esboçam, mesmo nas entrelinhas, a forma como os dramaturgos enxergam a realidade, de acordo com a curadoria formada por Marici Salomão, coordenadora do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Maria Thereza Magalhães, José Fernando Peixoto e Armando Fernandes. 

 

A curadoria do FIT foi pautada sobre as seguintes questões: Como a noção de real é representada pelos artistas de teatro hoje? Como os grupos/produções materializam a busca da experiência do real? Como as escolhas formais são capazes de falar das transformações da vida pública, sem, no entanto, impor-se a ela, ou negá-la? “A linha mestre do FIT 2011 é levantar questões sobre um teatro que reconecte sua linguagem à realidade”, observa Marici.

 

“Mais do que uma mostra de teatro, a 11ª edição do FIT propõe a ampliação do campo de discussão, a partir de uma pergunta: quais são as estratégias de apropriação e elaboração do real empreendidas pelos artistas de teatro, hoje?”, indaga José Fernando Peixoto. 

 

O curador explica, ainda, que se na edição anterior o foco sobre a singularidade das obras determinava o eixo curatorial, aqui se trata de ver o modo como as obras se revelam processos artísticos de apropriação de outros processos. Longe de ver o teatro como espelho ou reflexo do mundo, tenta-se compreendê-lo, já em sua diversidade, enquanto elaboração de experiências.

 

Produções Nacionais e Internacionais

 

Na programação, o FIT trará produções internacionais da Argentina, Bélgica, Portugal e Chile, com destaque para o Irã com o espetáculo “Where Were you on January 8th”, de Amir Reza Koohestani, pela primeira vez no Brasil. Além disso, esta edição tem a representatividade de mais estados brasileiros como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Paraná, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

 

O evento abre com “Sua Incelença, Ricardo III”, do grupo Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte. Com direção musical de Marco França, Ernani Maletta e Babaya, o Clowns de Shakespeare convidou o diretor mineiro Gabriel Villela para a remontagem deste clássico texto inglês, em uma encenação que celebra o espaço público.  

 

Dos 34 espetáculos brasileiros, são seis infantis, seis de rua e dez de grupos de Rio Preto.  A novidade deste ano é a Mostra Petrobras, que destaca da programação cinco espetáculos de grupos e companhias patrocinados pela empresa. 

 

A Mostra Petrobras trará diretamente de Brasília “O Grande Circo dos Irmãos Saúde” para ocupar as ruas e praças da cidade e, também, a Cia. do Latão, com o espetáculo “Ópera dos Vivos”, e a Cia. Brasileira de Teatro, com “Ôxigênio”.

 

Fechando a programação do FIT e integrando a mesma Mostra, o Grupo Galpão, de Minas Gerais, coloca em cena “Till, A Saga de Um Heroi Torto”, com texto de Luis Alberto de Abreu.

 

Entre os endereços das apresentações, são 22 espaços ao ar livre (praças e ruas) e cinco locais fixos (teatros, ginásios, etc). Vale destacar a proposta de manter a gratuidade de alguns espetáculos. O público terá a oportunidade de assistir toda a programação local e infantil de graça. Além de, pelo menos uma peça internacional e outras adultas, também com entrada franca. 

 

Reflexão do Fazer Teatral

 

Este ano, o festival aborda o tema realidade. Deodoro Moreira, coordenador geral do FIT, revelou que esta edição mostra a continuidade da qualidade do Festival, que já está consolidado com um dos cinco maiores deste gênero no País. “Mais uma vez, o FIT proporciona a reflexão sobre o fazer teatral, com espetáculos que retratam a maneira como a realidade é trabalhada nas artes cênicas.” 

 

O gerente do Sesc de São José do Rio Preto, Sebastião Eduardo Costa Martins, destaca que a grande contribuição do FIT para a cultura brasileira é o fortalecimento do teatro que é umas das mais expressivas formas de manifestação artística, onde a realidade é mostrada, refletida e entendida.

Sua realização em uma cidade do interior contribuiu para a descentralização das manifestações culturais deste porte.

 

Ainda de acordo com Martins, o FIT tem importância pela qualidade da sua produção, pelo respeito aos artistas e demais envolvidos e, em especial, pelos critérios e transparência no processo de seleção dos grupos, baseado em curadorias capacitadas e autônomas.

 

Histórico

 

Com 11 anos no formato internacional, o Festival de Teatro de Rio Preto soma, em 2011, 42 edições. O evento surgiu no final da década de 60, em um período em que o Brasil ditatorial atravessava diversas transformações sociais e políticas.

 

Em seus primeiros anos, tinha caráter competitivo e amador. Com espetáculos vindos do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, a primeira edição contou com a participação de 11 grupos, que se apresentaram na Igreja Basílica, no bairro Boa Vista.

 

A apresentação de estreia, em julho de 1969, foi realizada pelo grupo de Rio Preto Teatro Jovem da Casa de Cultura, formado por Humberto Sinibaldi Neto, Dinorah Do Valle, José Eduardo Vendramini, Fábio Marques dos Santos, Maria Cristina Miceli, Raildo Viana, Ricardo Albuquerque e Reinaldo Silva.

 

O evento foi interrompido entre 1973 e 1980, voltando a ser realizado em 1981. Em 2001, deixou de ser competitivo e passou a ter um formato experimental e profissional.

 

O Festival Nacional de Teatro Amador deu lugar, então, ao Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, que se aprimorou e expandiu, atraindo as atenções de artistas de todo o mundo, além de ser um dos mais aguardados pelo público de diversos estados brasileiros e países vizinhos.