Skip to content Skip to footer

Estudantes da SP Escola Superior de Teatro falam da experiência do intercâmbio na Turquia

Após a primeira etapa do projeto internacional “Stay or Leave? Mobility between Freedom and Security”, que aconteceu em 2025 em Jena, na Alemanha, com participação da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, agora em abril foi a vez de estudantes da Escola irem à Şirince, na Turquia, para a segunda etapa do projeto.

Francisco Turbiani, formador do curso de Iluminação, e Fabiano Lodi, artista docente convidado de Direção, acompanharam novamente os estudantes em suas atividades e pesquisas.

Assim como na Alemanha, os estudantes tiveram contato durante nove dias com artistas de diversas partes do mundo. Na Turquia, todos se reuniram na Nesin Matematik Köyü, importante instituição de ensino.

Estiveram presentes: Larissa S. Nicácio Silva, Nayara Alves Oliveira, Débora F. S. de Campos, Flora de Souza Furlan, Rubens Reis, Victor Moretti A. Gregório, Carolina Pfeffer e João Borges Pastore.

Fabiano ministrou um workshop sobre direção cênica, enquanto Francisco ministrou um workshop sobre procedimentos de colaboração e organização de material de sala de ensaio.

Além disso, a organização propôs que os participantes pudessem também ministrar workshops para seus colegas. Desse modo, o grupo brasileiro ministrou workshops de:

Larissa  e Nayara – “The dramaturgy of clothing”

Flora – “Brazilian Ballroom Dance (Forró)”

Rubens – “Is it a fight? Is it a Dance? No! It’s CAPOEIRA”

Carol e João – “Sound conduction”

Débora – “Artistic Hands”

Victor – “Wordless improv”

Confira os relatos de alguns dos participantes:

Fabiano Lodi

Esta edição do projeto “Stay or Leave” combinou diferentes tipos de atividades, dando continuidade às ações iniciadas na primeira edição realizada em Jena, na Alemanha, em outubro de 2025, e trazendo novas práticas e desafios. A equipe brasileira, formada por estudantes e docentes da SP Escola Superior de Teatro, mais uma vez se destacou pelo forte engajamento nas atividades artísticas, como a condução de workshops e apresentações culturais, inspirados pelo tema da mobilidade. 

Uma das mais destacadas qualidades desta edição foi a consolidação de uma experiência de continuidade. Por uma série de razões, frequentemente temos de lidar com projetos pontuais, que ocorrem em edição única e não sobrevivem aos enormes obstáculos de execução, os quais inviabilizam aprofundamento, amadurecimento e vinculação. A edição do “Stay or Leave” na Turquia possibilitou uma imersão nestes tópicos, gerando desdobramentos consistentes quanto à formação de parcerias internacionais, imersão em diferentes culturas e aproximação junto a desafios como produção, logística e orçamento. Foi uma oportunidade de colocar o teatro brasileiro no mapa internacional, bem como se relacionar com distintas expressões artísticas que podem ampliar ainda mais nossos horizontes de possibilidades.

Foram dez dias de profunda imersão, favorecida pela estratégica e harmoniosa combinação entre paisagens exuberantes e a arquitetura da Nesin Matematik Köyü, um espaço construído em meio às montanhas de Şirinçe, uma vila remota na região de Selçuk, na província de Izmir. Com todas as atividades concentradas no mesmo espaço, desde a hospedagem às atividades práticas e celebrações festivas, o projeto “Stay or Leave” combinou a urgência de nossos interesses culturais ao tempo para se conectar com a natureza ao nosso redor. Oportunidade singular para renovar os votos com nosso compromisso artístico e pedagógico, se fortalecer ainda mais, e seguir a caminhada.

Francisco Turbiani

Entre 1 e 9 de abril, estivemos no vilarejo de Şirince, na Turquia, para o desenvolvimento da segunda etapa do intercâmbio “Stay or Leave”, reunindo jovens do Brasil, Líbano, Alemanha e Turquia para discutir e pensar questões relativas à mobilidade através da linguagem do Teatro e da Dança.

O projeto foi realizado na Nesin Matematik Köyü, uma instituição educacional desenvolvida para o ensino de matemática, filosofia e artes, em meio à natureza das montanhas na Turquia. O espaço é equipado com dormitórios, refeitório, biblioteca, salas de aula fechadas e a céu aberto.

Nessa etapa da do projeto, as trocas culturais tiveram um papel importante, levando alguns workshops de danças típicas e folclóricas de cada país. A partir dos workshops, pequenos grupos puderam desenvolver e apresentar pequenas performances, que envolveram leitura de dramaturgias, sessões de improviso teatral, apresentações de dança e recitação de poemas.

Os participantes puderam também desenvolver e aprender sobre produção e desenvolvimento de projetos, entendendo um pouco melhor como a iniciativa “Stay or Leave” foi criada e financiada e como podem buscar criar seus próprios projetos internacionais no futuro.

Na viagem, o grupo brasileiro teve a oportunidade de visitar o sítio arqueológico histórico de Ephesus, cidade de influência greco-romana construída no século 10 A.C. e considerada dentro do império romano como a capital da Ásia Romana. O grupo visitou as ruínas da biblioteca de Celso, da Ágora da cidade, assim como seus dois teatros em formato de semi-arena (o maior deles com capacidade para 25 mil pessoas).

Algo que me chamou bastante atenção foi que, no grupo da Turquia, havia diversos participantes que não dominavam completamente a língua inglesa, base de comunicação entre os diferentes países. Para mim, foi especialmente interessante ministrar workshops sem poder fazer uso da palavra, descobrindo como a linguagem teatral pode se articular apesar dessa dificuldade de comunicação.

Pensando nisso, durante as apresentações performáticas que fizemos, propus uma ação performativa de leitura do poema “A Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade, que foi lido coletivamente e simultaneamente em português, inglês e turco, através de um dispositivo cênico de legendas.

Larissa Nicacio

A presença do grupo brasileiro na segunda edição do programa, que ocorreu na Turquia, foi resultado de muita luta, esforço e parcerias feitas pelo caminho.

Com o apoio da SP Escola Superior de Teatro, dos nossos amigos em quatro cantos diferentes do mundo e, principalmente, do Freie Bühne Jena, entramos no avião (ou em vários deles) e fomos.

Acho que nenhum de nós jamais será capaz de, de fato, explicar o que é viver o programa.

O que é compartilhar nossa arte.

O que é receber a arte deles.

O que é morar por 10 dias com esse enorme grupo de pessoas que estão ali, a fim de criar e compartilhar.

Nesses 10 dias, todos os líderes e participantes fizeram workshops dos mais diversos assuntos, e é tão encantador ver os lugares em que nos encontramos e aqueles dos quais somos tão distantes, da forma mais poética que só o teatro poderia entregar.

Eu pude falar de dramaturgia e figurino ao lado de minha parceira, Nayara Andrade.

Eu pude ver os olhos de meus amigos, de quatro cantos diferentes do mundo, brilharem para aquilo que mais amo fazer, tanto quanto os meus próprios olhos brilhavam quando entrei na minha primeira aula de dramaturgia com a Marici Salomão na Escola.

E meus olhos também brilharam ao participar, por exemplo, do workshop de improvisação da Fiona. Esse, assim como os nossos amigos, assim como todo o programa, me faz relembrar o teatro como um todo, como um amor à primeira vista, como algo que continuará existindo e acontecendo, aonde quer que estejamos.

Pra mim, viver o programa é sobre voltar a ver nossa capacidade de transformação. 

É sobre acreditar em teatro, acima de tudo. 

Inscreva-se em nossa newsletter