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A educação integrada é a base da SP Escola Superior de Teatro, cuja estrutura pedagógica agrupa conceitos de alguns dos principais pensadores da formação intelectual e cultural contemporânea. Esses conceitos são assimilados na esfera da cultura e da arte do teatro para, assim, elevar o pensamento crítico desenvolvido na Escola.

A pedagogia da autonomia proposta pelo educador Paulo Freire, segundo a qual “quem ensina aprende ao ensinar; e quem aprende ensina ao aprender”, está em sintonia com o pensamento da Instituição, que enfatiza relações entre estudantes e docentes, pautando-se pela emancipação do artista como investigador e criador compromissado com o papel social.

Essa ideia está também atrelada à noção de território e de espacialização desenvolvida pelo geógrafo Milton Santos – um dos maiores críticos do sistema capitalista e pensador da globalização. Santos entende o lugar, seja público ou privado, como o “espaço do acontecer solidário”, e esse pensamento faz parte dos conceitos levados em consideração na estrutura pedagógica da Instituição.

A tríplice teórica que dá base à formação da SP Escola Superior de Teatro se completa com a visão sistêmica do processo cognitivo baseada no pensamento do físico e ambientalista austríaco Fritjof Capra, cuja abordagem está apoiada na sustentabilidade. Dentro do projeto pedagógico da Escola, são fundamentais a interdependência entre as diversas áreas do palco, a cooperação artística no fazer teatral, a diversidade de processos voltados à produção cênica e a concepção da cena como um todo integrado.

Seguindo esses alicerces, a SP Escola Superior de Teatro se diferencia por oferecer uma estrutura que se destaca por, entre outras coisas:

  • Oferecer a possibilidade de que o estudantes inicie seus estudos em qualquer um dos módulos oferecidos no momento, sem a necessidade de ter algum conhecimento prévio para o cursar;
  • Não organizar suas turmas em grupos fechados, o que permite ao estudante o convívio com núcleos diferenciados de pessoas e mesclar suas experiências individuais com as dos colegas;
  • Ocupar todas as vagas de seus módulos, que são preenchidos se houver desistências.
Missão

Promover cultura, arte e educação nas artes do palco por meio de um sistema pedagógico inovador e acessível, que prioriza a experiência cênica em diversas iniciativas, oferecendo atividades culturais de excelência.

Visão

Ser referência na formação de profissionais de teatro, nacional e internacionalmente, valorizando a arte e a educação como agentes da transformação social, com potencial ético, estético e criativo.

Valores

Respeito à diversidade sociocultural, étnica e de gênero
Criatividade e inovação
Difusão Cultural
Acessibilidade
Equidade
Sustentabilidade
Transparência

Sistema Pedagógico

A SP Escola Superior de Teatro pondera o papel social das Artes Cênicas em módulos que valorizam a emancipação criadora, o pensamento crítico e a confluência absoluta de talentos e poéticas, desviando-se da relação hierárquica as quais costumam estar presas as bases educacionais.

Os principais pressupostos do projeto pedagógico da Escola são:

Ensino não hierárquico

A SP Escola Superior de Teatro baseia-se em um modelo de ensino que rompe com o regime de subordinação das pedagogias tradicionais. O conhecimento avança de acordo com trabalhos práticos e reflexivos, levando em consideração o ritmo de estudantes e docentes.

Ensino não cumulativo

A Escola dilui completamente o parâmetro de que o estudante no quarto semestre é mais avançado do que aquele no estágio inicial. Compartimentar o conhecimento artístico é uma contradição improdutiva, pois ele deve ser trabalhado com um mecanismo de expansão, desdobramento natural do fazer artístico, e não de acumulação.

Ensino modular

Um módulo corresponde à unidade de conteúdos e práticas daquele semestre. O estudante da SP Escola Superior de Teatro frequenta quatro módulos independentes em uma das linhas de estudo do curso superior, cada um com a duração de um semestre e identificado por uma cor: verde, amarelo, azul e vermelho.

Conceitos Pedagógicos

A Pedagogia Covalente

A Pedagogia Covalente é o sistema desenvolvido pelo núcleo fundador da ADAAP para orientar as práticas artístico-pedagógicas da Instituição.

O conceito foi sistematizado na tese de doutorado de Ivam Cabral (ECA-USP, 2017) e operacionalizado como fundamento do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco. 

Não se trata de uma metodologia fixa, tampouco de um conjunto de técnicas aplicáveis por protocolo. Trata-se de um sistema — dinâmico, flexível, vivo — capaz de incorporar novas práticas sem perder sua espinha dorsal ética e filosófica.

O nome, inspirado diretamente na ligação covalente da química, refere-se ao tipo de conexão em que átomos compartilham elétrons para atingir a estabilidade. A água, o oxigênio, substâncias essenciais à vida, existem por meio dessa forma de conexão. 

Ao nomear seu sistema com esse termo, a Faculdade afirma:

–     O conhecimento não pertence ao formador nem ao estudante isoladamente — ele emerge do compartilhamento entre eles.

–     A estabilidade de um processo formativo depende da qualidade das conexões, não da solidez de um indivíduo.

–     O encontro entre diferentes — pessoas, saberes, áreas, culturas — é a condição para que algo novo se torne possível.

A Pedagogia Covalente pode ser definida como uma estrutura pedagógica sistêmica, horizontal e relacional, no qual a potência formativa emerge não do indivíduo isolado, mas da qualidade das conexões estabelecidas entre todos os elementos do processo: estudantes, artistas docentes, saberes, áreas artísticas, tempos históricos e redes institucionais.

Desse modo, a estrutura orgânica da SP Escola Superior de Teatro atende a um pensamento holístico de mediação com as artes do palco. A abordagem dos conteúdos dos Cursos Regulares prefigura o funcionamento como se fossem oito escolas em uma, dado o grau de relações artísticas e pedagógicas entre todas as linhas de estudo.

O encontro entre as áreas tem proporcionado um curso de formação integrada, dialógica e conectada com as proposições da arte contemporânea. Isso não só constitui um modo peculiar de ensino, como também tem revolucionado os processos clássicos de formação artística.

Além disso, na fundação da filosofia da SP Escola Superior de Teatro, percebeu-se a necessidade de romper com várias terminologias do sistema educacional brasileiro, tais como grade curricular e disciplina. Nomear designa o exercício na imaginação e no cotidiano, por isso as alterações ocorrem na semântica e na prática pedagógica. Abandona-se a palavra disciplina para adotar a palavra componente. Abandona-se grade curricular para dar lugar à matriz.

O funcionamento pedagógico da Escola é assentado nos seguintes elementos:

Ideia inaugural lançada ao processo pedagógico e artístico, funcionando como um disparador a partir do qual se desdobram o Eixo, o Material, o Operador e a(o) Artista-pedagoga(o). Não define percursos nem resultados, mas instala um campo comum de investigação que antecede as escolhas formais e conceituais do Módulo. A Poética orienta o trabalho sem fechar sentidos, permitindo que cada núcleo desenvolva suas próprias pesquisas dentro de uma vibração compartilhada.

Ciclo de estudos e práticas artísticas realizado ao longo de um semestre, estruturado a partir das etapas do Estúdio e da Formação, que se repetem três vezes em cada período letivo. O Estúdio subdivide-se em Processo – aulas teóricas e ateliers práticos – e Experimento, momento em que as linhas de estudo se organizam em 16 núcleos para a criação de projetos cênicos. O Módulo constitui uma unidade fechada orientada por quatro parâmetros – Eixo, Operador, Material e Artista-pedagoga(o) –, possibilitando a sintonia entre as diversas funções envolvidas no trabalho coletivo.

Módulo Verde — Eixo personagem-conflito: envolvendo estudo do corpo, da voz, textos dramatúrgicos, técnicas teatrais de criação em atuação, cenografia e figurino, direção teatral, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco.
Módulo Amarelo — Eixo narratividade: estudo da narratividade, centrado na improvisação de cenas, na canção, imaginação, textos dramatúrgicos narrativos, memória, diálogos cênicos com cinema, TV, rádio e vídeo, e demais técnicas teatrais (atuação, humor, direção, cenografia e figurino, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco).
Módulo Azul — Eixo performatividade: estudo da performatividade, com máscaras, ideias, formas e objetos de cena, performance, imaginação, teatralidade de formas e volumes, transformação e produção de sentidos, jogos, performatização dramatúrgica e técnicas de criação artística (atuação, humor, direção, iluminação, textos, cenografia e figurino, sonoplastia e técnicas de palco.;
Módulo Vermelho — a ser definido pelo núcleo do experimento e pelos próprios estudantes: textos autorais, processos de organização de teatro de grupo, coletivos de criação, técnicas interdisciplinares de criação (atuação, humor, direção, iluminação, cenografia e figurino, sonoplastia e técnicas de palco), atividades de produção, fomento, formação e pesquisa relacionadas à produção teatral e economia criativa.

Vetor conceitual em torno do qual os conteúdos do Módulo são organizados, orientando as investigações formais e dramatúrgicas desenvolvidas ao longo do semestre. As formas canônicas da estrutura teatral – dramática, épica e performativa – fundamentam os Eixos dos Módulos Verde, Amarelo e Azul, respectivamente. O Módulo Vermelho, por sua vez, é definido pela Autonomia, quando os estudantes determinam as teatralidades de seus próprios núcleos de Experimento.

Referencial teórico que amplia o olhar sobre o Material, evocando novas percepções e aprofundando a leitura crítica dos conteúdos levados à cena. Se o plano ético pressupõe horizontalidade nas relações de trabalho artístico, a dimensão teórica requer verticalidade, permitindo maior aprofundamento conceitual. O Operador pode ser constituído pela obra de um(a) pensador(a), por uma teoria filosófica, por pesquisas acadêmicas ou por textos científicos diversos.

Conjunto de conteúdos, temáticas, matérias-primas e aparatos que serve de alicerce para as investigações cênicas do Módulo. O Material constitui a base a partir da qual a pesquisa artística se estrutura, oferecendo densidade concreta ao trabalho criativo. Pode ter origem textual, visual ou sonora, incluindo livros, documentos, imagens, objetos, álbuns musicais e canções populares, entre outras possibilidades.

Referência estética contemporânea, individual ou coletiva, que orienta os estudos e as práticas desenvolvidas no Módulo. Seu trabalho oferece aos estudantes a possibilidade de perceber modos de criação que podem ser derivados do Material e tensionados pelo Eixo. Nos Módulos Verde, Amarelo e Azul, dialoga com os gêneros dramático, épico e performativo, enquanto no Módulo Vermelho a escolha é definida autonomamente por cada núcleo.

Folder institucional da SP Escola Superior de Teatro

A SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco é um programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e é considerada a maior instituição educacional de teatro da América Latina.

Conheça o Curso Superior da SP Escola Superior de Teatro

A SP Escola Superior de Teatro oferece curso superior tecnólogo gratuito com oito linhas de estudo: Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco.

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