O Hemispheric Institute of Performance and Politics, centro internacional de pesquisa vinculado à New York University, vem se consolidando como uma das principais plataformas de investigação sobre as relações entre arte, performance e política nas Américas. Atuando como uma ampla rede transnacional, o instituto conecta artistas, pesquisadores, ativistas e educadores de diferentes países, com forte presença da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá.
Entre suas principais atividades estão encontros internacionais, residências artísticas, projetos colaborativos e a manutenção de um robusto arquivo digital dedicado a registrar práticas performativas e culturais. Nesse contexto, o conceito de “performance” adotado pela instituição ultrapassa os limites tradicionais do teatro e da dança, abrangendo também manifestações políticas, protestos, rituais e ações sociais – formas em que o corpo e a presença atuam como produtores de sentido no espaço público.
Ao longo dos anos, o Hemispheric Institute tornou-se referência no pensamento sobre arte engajada, teatro político e práticas decoloniais, promovendo um diálogo intenso entre criação artística e reflexão crítica.
É nesse cenário que se destaca a presença da companhia brasileira Os Satyros. Longe de ocupar um lugar periférico, o grupo integra o acervo do instituto como parte de um reconhecimento internacional de sua trajetória. Em entrevista comandada pelo pesquisador, professor e crítico Ferdinando Martins, publicada na plataforma, Ivam Cabral (diretor-executivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco) e Rodolfo García Vázquez (coordenador da linha de estudo de Direção da SP Escola de Teatro) revisitam a gênese da companhia, sua relação com a transformação da Praça Roosevelt, em São Paulo, e o desenvolvimento de uma linguagem cênica marcada pelo experimentalismo e por atravessamentos queer e pós-coloniais.
Ao integrar esse arquivo, que reúne artistas e coletivos de diversas partes do continente, Os Satyros passam a ocupar um espaço de visibilidade em uma plataforma que não apenas documenta, mas também legitima práticas artísticas relevantes no campo da performance contemporânea. Mais do que uma participação pontual, trata-se de uma inscrição simbólica: a companhia passa a compor uma memória internacional da cena, reconhecida por sua capacidade de articular criação artística, território e pensamento crítico.

