Vange Leonel parte e deixa amigos, obra artística e luta pela liberdade

Publicado em: 15/07/2014

Para o grande público ela ficou mais conhecida pela música “Noite preta”, tema da telenovela “Vamp”, transmitida pela Rede Globo entre 1991 e 1992. No entanto, Vange Leonel foi muito mais que artista. Foi um ser humano inquieto que, até os últimos momentos da vida – que se encerrou ontem (14/7), em consequência de um câncer de ovário –, perseguiu a liberdade.

 

“Ela então sonhou que era livre. Do cateter, das agulhas em suas veias, do buraco em seu peito. Eu só pude dizer: você é livre”, escreveu ontem no Twitter Cilmara Bedaque, sua parceira artística e companheira há 28 anos, que no domingo já havia alertado os amigos sobre o grave problema de saúde da companheira.

 

Ao longo de seus 51 anos, Vange foi cantora, compositora, escritora, dramaturga e ativista LGBT. Começou na música, em 1979, ao lado de seu primo, Nando Reis, na banda de reggae Os Camarões. Depois, na década de 1980, assumiu os vocais da banda Nau, e nos anos 1990 seguiu em carreira solo, lançando os discos “Vange” (1991) e “Vermelho” (1995). Com o primeiro, além de fazer sucesso com a música “Noite preta”, recebeu em 1992 o Prêmio Sharp de Música como “cantora revelação de pop/rock”.

 

Dedicou-se à literatura já no final da década, publicando “Lésbicas” (1999). Na sequência, viriam “Grrrls: garotas iradas” (2001) e “Balada para as meninas perdidas” (2003). Também se aproximou do teatro escrevendo os textos “As sereias da Rive Gauche”, encenado por Regina Galdino em 2000; e “Joana Evangelista”, levada ao palco pela Companhia de Teatro Os Satyros, em 2006.

 

Em parceria com Cilmara Bedaque, Vange também mantinha, desde o final de 2013, o blog Lupulinas, no site da revista Carta Capital, em que falava sobre cervejas artesanais.

 

Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro e cofundador do Satyros, lamenta a morte da amiga. “Vange era, sobretudo, uma guerreira, lutou e defendeu seus ideais até o último momento. E uma artista ímpar, como poucas.”

 

Texto: Felipe Del