Uma Performance Obscura

Publicado em: 20/05/2011

A primeira abertura de processo do grupo 3 do Módulo Azul é impossível de ser fielmente descrita em palavras, a performance realizada foi uma mistura de vários elementos e durou cerca de 1 hora. O grupo é dirigido por Rafaela Fernandes e Júlio Rasec, aprendizes de Direção, e a coordenadora é Lavínia Pannunzio.

 

Segundo Lavínia, um dos levantamentos decorrentes da pesquisa realizada pelo grupo foi “fazer um link entre fracasso e morte”. Essa informação ajuda a dar um significado para a apresentação do grupo, mas passa longe de explicar tudo. Esse era justamente o objetivo do grupo: experimentar todos esses conceitos aplicados.

 

Na sala em que a performance foi realizada, o cenário era obscuro e intrigante. Fios pretos dividiam o local em duas partes. Os espectadores tinham a opção de entrar por qualquer uma das duas portas disponíveis. No chão, tiras de pano compridas e coloridas estavam espalhadas. A iluminação vinha de lâmpadas ligadas embaixo de cadeiras.

 

No início, três atores estavam posicionados de cada lado do espaço. Se moviam em velocidade extremamente lenta, ao som de uma música clássica. Em alguns instantes, o silêncio tomou conta da sala, mas somente por alguns segundos, e foi quebrado com outra música, serena e terna. Desta vez, os atores, na mesma velocidade ralentada, começaram a atravessar a sala.

 

Conforme orientação dos diretores, posicionados lateralmente à ação, os atores pararam subitamente e olharam para o que estava à frente. Em seguida, os diretores definiram que três atores seriam “condutores” e os outros “conduzidos”.

 

Dessa maneira, os condutores tomaram a iniciativa e atravessaram para o outro lado. Ao chegar, tocavam o corpo dos conduzidos com leveza, como se fizessem testes neles. Em alguns momentos arrastavam pelo chão e jogavam nos fios os corpos inertes dos conduzidos.

 

Após alguns minutos, inverteram-se os papéis: cada dupla se reuniu para que os manipuladores se tornassem manipulados, conforme pedidos do diretor Rasec, que também orientava: “busquem a composição de imagem, observem os corpos, a composição do espaço”. 

 

Na sequência, cada ator pegou uma cebola e uma faca. Em um instante, estavam sentados no chão picando o legume. No próximo, formavam um coral de vozes que só balbuciava sons. Finalmente, os diretores pediram que cada um deles dissesse uma frase, previamente selecionada. 

 

Tensão. A intensidade com que a faca descia sobre a cebola aumentava, assim como o tom de voz adotado por eles. Aos gritos e picando a cebola freneticamente, são interrompidos pelo comando de Rasec:

 

“Todos larguem a faca e a cebola e, lentamente, se levantem”. Os aprendizes, então, retomam a posição inicial da travessia e, mais uma vez, ultrapassam os fios.

 

A diretora Rafaela explica que a apresentação foi “um panorama de todas as ‘protocenas’, que são as pequenas cenas que já tinham sido criadas”. 

 

“Primeiramente, fizemos algo que permitia a livre interpretação por parte dos espectadores. Para eles, existem várias possibilidades de ligação entre todos os elementos”, ressaltou.

 

Outra questão que foi discutida pelo grupo, segundo a diretora, foi “por que a sociedade nega tanto o fracasso?”. “Então, a partir de observações que o grupo fez, chegamos na experiência limite do fracasso humano: a morte biológica.”

 

O trabalho do grupo ainda está em estudo. “Falta definir exatamente o que vamos fazer com isso tudo. Está tudo completamente aberto”, observa a coordenadora Lavínia.

 

O grupo 3 fez ontem (19/05) sua segunda abertura de processo. A terceira e última apresentação será realizada no dia 21/05, às 12h, na sala 39.