Uma Parte do Brás na Escola

Publicado em: 21/05/2012

O Brás abriga a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Suas ruas carregam um rico conteúdo histórico e uma diversidade nítida aos olhos de quem passa por elas. No último sábado (19), um pouco desse universo foi parar nas salas da Escola, durante o Experimento do Módulo Verde, cujos aprendizes têm o bairro como campo de investigação e criação teatral, e a obra “Bella Ciao”, de Luís Alberto de Abreu, como material de trabalho.

Dois convidados acompanharam as experimentações cênicas de cada um dos oito núcleos que compõem este Módulo e, ao final do dia, passaram suas impressões e deixaram suas provocações sobre os trabalhos. Dessa forma, às 17h30, a atriz, preparadora corporal, diretora e professora de interpretação Renata Zhaneta e o pesquisador e dramaturgo Felisberto Sabino da Costa participaram de um encontro com os aprendizes.

Felisberto começou lançando uma reflexão acerca da pesquisa dos grupos em torno do Brás: “Quais elementos dos trabalhos são encontrados apenas no Brás, e não em todas as cidades do País?”. Para responder a esta questão e, se necessário, complementar os experimentos, o artista sugeriu que os aprendizes focassem no aprofundamento da pesquisa realizada até agora.

Entusiasmada, Renata já iniciou sua parte sem poupar elogios ao que viu durante o dia. “Fiquei muito emocionada com a abertura, de manhã. Posso ver que é um projeto pedagógico que tem uma grande seriedade, disciplina e pulsação. Eu me senti muito acolhida. Percebi, em todos os experimentos, uma harmonia e desejo de aprofundamento da pesquisa e do fazer teatral. Essa atmosfera me arrebata.”

Um dos pontos destacados por ela foram as áreas “técnicas”, especialmente a sonoplastia, alegando que a música dialogava e compunha a dramaturgia, enriquecendo e narrando a cena. “Só tenho elogios”, concluiu, sorrindo, ao encerrar suas observações.

Na hora em que o encontro teve o espaço aberto para perguntas, os aprendizes lançaram suas dúvidas sobre como encontrar os tais tipos específicos do Brás, assim como sobre o formato que poderia ser utilizado, ao que Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Escola, respondeu: “Neste Módulo, saímos da necessidade de sugerir uma forma. Nosso foco está nas personagens, inclusive, em várias salas pudemos ver experimentos que iam além do realismo”.

Felisberto, por sua vez, recomendou o “exercício de escuta” aos aprendizes como melhor forma para encontrar novas histórias e personagens que façam parte do universo do bairro.

Para encerrar a conversa, Gama tomou a palavra e discorreu sobre os trabalhos e deixou uma provocação para o próximo Experimento – terceiro e último do semestre. “Nosso desafio é: como não abandonar o nosso material, mas fazer com que ele seja consistente. Essa reflexão nos leva à próxima etapa, com o objetivo de encontrar a singularidade. Chegamos onde nos propusemos ir, ainda que seja apenas um esboço.”

Assim se encerrava o Território Cultural. Os próximos aprendizes a encarar este desafio são os do Módulo Azul, que, em junho, compartilham com o público suas investigações cênicas, em seu último Experimento.
 

 

Veja mais:

O Processo Criativo de “Bella Ciao”

O Módulo Verde pela Lente de Bob Sousa

 

Texto: Felipe Del