Dani Leite, nova artista docente de direção, revela expectativas do semestre e sua experiência fora do eixo Rio-SP

Dani Leite, nova artista docente de direção da SP Escola de Teatro, é atriz, diretora, produtora cultural e professora na MT Escola de Teatro, polo de formação também gerido pela Adaap (Associação dos Artistas Amigos da Praça) em parceria com outras instituições.

Graduada em filosofia pela UFMT (Universidade Federal De Mato Grosso), Mestre e Doutora em Estudos de Cultura Contemporânea/ Poéticas Contemporâneas pela mesma instituição, trabalha desde 2004 com teatro e projetos artísticos, articulando sua formação nas relações entre o teatro, a ciência e a filosofia.

Animada com a oportunidade de lecionar na capital paulista, a diretora revelou em entrevista ao site da SP Escola de Teatro seus planos como professora da instituição, o ensino digital e sua trajetória como artista de sucesso fora do eixo Rio-São Paulo. Confira!

Como é ser artista docente na SP Escola de Teatro? Quais são seus planos para esse semestre como professora?
É uma honra muito grande compor o corpo docente numa organização pedagógica que toma a via da experimentação como centro da relação com o aprendizado. Fui muito bem recebida desde as primeiras reuniões, realizadas em fevereiro deste ano. Tenho experimentado os processos pedagógicos da escola desde 2017, quando passei a atuar como artista-docente na MT Escola de Teatro, uma “irmã mais nova” da SP Escola de Teatro. Entendo que dentro desta perspectiva teórico-prática o foco no desenvolvimento da autonomia artística dos estudantes ganha uma dimensão radical e a poética que eles vivenciam tocam na feição colaborativa da artesania teatral. Essa estrutura sistêmica tem a potência de angariar forças nas partilhas intensas que se estabelecem entre aprendizes, formadores e orientadores na condução de processos que culminam numa montagem cênica ao final de cada módulo. Por falar nisso, estou amando conhecer os aprendizes de Direção (módulo azul), assim como as singularidades de suas criações. Em breve conhecerei os demais estudantes-artistas da Escola.

O ensino digital tem lados bons e ruins. Quais vantagens vc acredita que há no ensino digital e como pretende explorá-las?
A primeira vantagem é que estou em Cuiabá-MT e, assim, posso me encontrar com a produção de estudantes que estão em cidades de diferentes estados brasileiros. Diante das dificuldades que nos encontramos em meio a uma pandemia, o meio digital oferece segurança para o trabalho de formadores, estudantes e coordenação, oferecendo dignidade em meio à tamanha devastação e descaso com a vida humana, tão presentes em nosso cotidiano. Apesar de toda a dificuldade de lidar com uma ferramenta que não era habitual, nos colocamos a desenvolver uma linguagem no momento do acontecimento, adaptando procedimentos, criando soluções cênicas na relação entre a câmera, o corpo, a luz, o espaço, o som, as visualidades, etc. O que tenho percebido é uma disponibilidade imensa, dos estudantes, para experimentar de modo muito criativo as composições de cena dentro da plataforma Zoom.

O que os estudantes da SP podem esperar aprender neste semestre com as suas vivências e ensinamentos?
Acredito que esse período seja profícuo para a partilha de referências teóricas e artísticas para o estudo da direção teatral e a prática de exercícios, procedimentos e premissas ético-afetivas para conduzir processos de criação e composição da encenação. Entendo tudo isso como uma possibilidade de construir junto com os estudantes um espaço de experimentação da performatividade, linguagem que estamos estudando neste módulo. Na criação dos meus trabalhos, experimento a performatividade na dramaturgia com o recurso da autoficção, na relação com a espacialidade e a visualidade, assim como na diluição das hierarquias entre os elementos que compõem a cena. Dentro destas linhas que mencionei, percebo que conhecer não é somente processar informações acerca de uma linguagem supostamente já constituída: é, antes, implicar-se com o mundo criado na investigação/criação e comprometer-se com sua produção. Afinal, o que pode o teatro senão nos relembrar sobre a responsabilidade humana e as partilhas realizadas no campo do sensível e, assim, nos indagar sobre o mundo em que queremos viver. Sem dúvida, isso é parte de um compromisso ético e estético que construímos socialmente enquanto artistas-criadores.

Conte um pouco da sua experiência como artista no Brasil
Desde 2004 dedico-me a estudar a dimensão do acontecimento no teatro e como nossos desejos oferecem movimento às nossas criações. Tenho experimentado a retroalimentação entre a teoria e a prática na pesquisa acadêmica (mestrado e doutorado) e artística; na construção de um teatro na fronteira com o cinema, as artes visuais e, agora o Zoom, rsrs. Também atuo na gestão do in-Próprio Coletivo, espaço de criação compartilhada com outros artistas em que tenho proposto argumentos dramatúrgicos e a construção da encenação. Junto a esse coletivo desenvolvo desde 2013 trabalhos de criação e formação em teatro a partir de arquivos pessoais como matéria para a composição de narrativas autoficcionais. Tais trabalhos artísticos e de formação circularam por 50 cidades brasileiras durante os projetos Palco Giratório e Amazônia das Artes (Sesc), assim como pude oferecer residências artísticas em países como Colômbia e Argentina pela Rede de Festivais Corredor Latino Americano de Teatro e pelo projeto Sesc Dramaturgias. Atuo como artista pesquisadora no Grupo de Pesquisa Artes Híbridas: intersecções, contaminações e transversalidades (ECCO/UFMT) e na produção do Núcleo de pesquisas teatrais – Encontros Possíveis um intercâmbio com o Odin Teatret em parceria com a Cia Pessoal de Teatro (MT).

Por Luiza Camargo




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