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Sucesso de público no primeiro dia das atividades de lançamento da SP Escola de Teatro

Publicado em: 01/01/2010

O ator Luis Melo, a Cia. Brasileira, o humorista Jorge Loredo e o cenógrafo José Dias abriram ontem (26) a programação gratuita de lançamento da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
A primeira conferência do dia foi com José Dias, cenógrafo e diretor de arte. O arquiteto, quando se formou, largou a profissão para estudar cenografia, ignorando o pedido do pai para que seguisse a profissão de analista de sistema, o que então era tido como a profissão do futuro. “Fui ver uma apresentação teatral na época e vi que tinha alguma coisa errada, mas não sabia o que era”, relata Dias. Foi assim que ele resolveu estudar cenografia. “Cenografia não é decoração. Nada é gratuito. Tudo tem que ter uma função”, afirmou.
 Em sua apresentação, Dias também ressaltou três pilares fundamentais do teatro, lição que tirou ao ser admitido em seu primeiro emprego no universo da cenografia: a pontualidade, a disciplina e a humildade.
 TEATRO DE PESQUISA
 A Cia. Brasileira de Teatro, de Curitiba, apresentou work in progress do texto “Descartes com Lentes”, na sala Multiuso da SP Escola de Teatro. O texto, repleto de símbolos e silogismos, foi trabalhado com primor pela companhia. Na história, Leminski relata uma hipotética vinda do filósofo francês René Descartes ao Brasil.
 Em sua estada no País, Descartes descreve suas impressões sobre o novo mundo com reflexões tão insólitas quanto “enquanto o macaco representa e gesticula, o papagaio fala. E parece gente em pedaços, uma parcela no macaco e uma porção no papagaio”.
Frases de efeito reflexivo e ou filosófico – como “pensamento é susto”, “a existência existe no existente”, “esse pensamento sem bússola é o meu pesar”- recheiam o texto. Um belo trabalho corporal  alinhava a montagem.
 Em seguida, o ator Luis Melo, com direção de Márcio Abreu, apresentou a leitura de “Um Calcanhar Avariado e outras Histórias”, de Manoel Carlos Karam. O texto fala sobre um homem simples atormentado com a presença de uma aranha em seu apartamento. A partir de um fato conhecido (uma aranha), o texto caminha por direções filosóficas sobre a existência daquele homem anônimo. Pensamentos e frases singulares do autor, ditos com as inflexões necessárias pelo ator, saltaram do texto para ecoar ainda após o término da apresentação. “Uma vida anônima é bom para um sujeito desconhecido”  e “a minha infelicidade não está a venda”, foram algumas das mais repetidas nos corredores. 

O ZÉ BONITINHO
Para finalizar o primeiro dia de atividades, o ator e humorista Jorge Loredo, mais conhecido por sua personagem “Zé Bonitinho”, falou sobre sua trajetória no teatro e na televisão.
Sobre a febre do stand-up comedy, Loredo disse que o gênero  é coisa antiga e que a televisão hoje não deixa espaço para o improviso. “Eu enriqueci muito a minha personagem através do improviso na televisão ao vivo. A frase ‘câmera close, please’, do Zé Bonitinho, foi criada no improviso”.
Para Loredo, o grande momento do artista é o contato direto com seu público, como acontece no teatro e no circo. Para ele, o circo é a maior linguagem que existe. “Temos que aprender com os mestres. Eles sim sabem mais do que nós. Acho muito importante a criação de um curso de Humor. Por favor, não deixem o circo morrer”, disse o ator, ao encerrar a conferência em que foi aplaudido de pé.