Soninha Francine vive Pagu em leitura dramática

Publicado em: 16/09/2013

Conhecida como Pagu, Patrícia Rehder Galvão (1910-1962) foi uma mulher à frente de seu tempo. Artista multifacetada, foi escritora, poeta, diretora de teatro e desenhista, além de jornalista. Ferrenha militante comunista, carrega consigo ainda a marca de ter sido a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas e o título de musa do modernismo.

 

Soninha Francine, membro do Conselho Fiscal da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), instituição que gere a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, teve a missão de interpretar a marcante personagem em uma leitura dramática realizada no sábado (14), às 19h, na Sede Roosevelt da Escola.

 

Leitura de “Quase Pagu” (Foto: André Stéfano)

 

A peça lida foi “Quase Pagu”, assinada por Asdrúbal Serrano, membro do Núcleo de Pesquisa e Ação em Arte Comunitária (Nupeac) e do projeto Arte Contra o Crack. O evento fazia parte do 1° Ciclo Leituras Dramáticas para Acalmar o Mundo. 

 

No elenco, ao lado de Soninha, estavam Rodrigo Ribeiro e Elenir Rodrigues, e, na plateia, registrava-se a presença do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que participaria da leitura, mas, por problemas de agenda, não conseguiu chegar a tempo.

 

Na comédia, um jovem ator de teatro popular, enquanto se prepara para a montagem de uma peça sobre Pagu, é acusado por uma militar de ser um subversivo e perigoso terrorista. Após a leitura, o grupo fez duas demonstrações, empregando em cenas as técnicas do teatro do oprimido de Augusto Boal, pesquisa coordenada por Asdrúbal Serrano.

 

“Gostaria de agradecer a Escola pela parceria. Foi fantástico, este espaço intimista e confortável coloca o público dentro da leitura. Vamos articular novas ações e tentar voltar com novos projetos”, disse Asdrúbal. “É um trabalho incrível. Estamos sempre de portas abertas para esse tipo de parceria”, afirmou Rodolfo García Vázquez, coordenador do curso de Direção da SP Escola de Teatro.

 

Membros do Nupeac compareceram e foram acompanhados por Suplicy

 

Nupeac e Arte Contra o Crak

Criado na periferia da zona leste de São Paulo, o Nupeac já existe há 23 anos. Em 2008, se expandiu para cidades do interior do estado, com núcleos de estudo do teatro do oprimido. O grupo, atualmente composto por 12 pessoas, busca multiplicadores do teatro do oprimido e ministra oficinas.

 

Já o Arte Contra o Crack é um projeto gerenciado pelo Nupeac que, a partir de teatro-fóruns – técnica empregada no teatro do oprimido –, oferece aos jovens de comunidades carentes a possibilidade de montarem peças de teatro, tendo como temática a questão das drogas. Dentro desse projeto, existe ainda um programa de intercâmbio que leva jovens a circularem por outras cidades e apresentarem os trabalhos do núcleo.

 

 

Texto: Felipe Del

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