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São Paulo é o Território Cultural

Publicado em: 14/06/2011

Depois de uma paralisação de quase dois meses por conta do Experimento, o Território Cultural voltou neste sábado (11/06) com todo o fôlego, com uma programação repleta de atrações, não apenas na SP Escola de Teatro, mas também em outros espaços da cidade.

 

Um dos destaques do evento foi o ator e diretor Celso Frateschi, que apresentou dois espetáculos exclusivamente para aprendizes da Escola, “Horácio”, no Teatro Anhembi Morumbi, e “Sonho de um Homem Ridículo”, no Teatro Ágora. 

 

Logo na sequência da primeira apresentação, Frateschi realizou um debate com o público e respondeu a várias questões. Como o interesse dos aprendizes em acompanhar a peça era grande, a reunião com os núcleos do Experimento do Módulo Azul, que estava programada para esta manhã, foi cancelada.

 

Já no período vespertino, a Escola recebeu, às 14h30, a atriz Gabriela Argento e sua oficina “Antes do Riso”, que abordou a temática do “mundo de dentro do ator-criador”. 

 

“Meu interesse é quase pelo pré-palco. Antes de ter técnica e conhecimento, o mais importante é que o ator se conheça. O ator-criador tem que entender que precisa de treino, precisa saber lidar com o frescor da repetição e, principalmente, aproveitar o que o encontro entre os participantes de um espetáculo pode proporcionar”, define Gabriela.

 

Enquanto isso, na sala 26, podia se assistir a uma apresentação teatral baseada na tragédia “Medéia”, escrita por Eurípides em 431 a.C. Surgida a partir de uma ideia do aprendiz de Técnicas de Palco, Rafael Marques, a proposta da peça era “trazer Medéia para a contemporaneidade”, segundo as atrizes Anne Martins e Gabriele Maria, que atuaram ao lado de Suzana Granato.

 

Logo depois, os aprendizes de Humor Gabriel Granado e Nadja Fernandes divertiram o público com cenas de palhaço. Vestidos a caráter, os dois se revezavam em apresentações nas quais utilizavam apenas gestos. “A Bete Dorgam nos mandou músicas e pediu que fizéssemos uma cena boa. A gente veio e fez isso aqui que vocês viram”, brincou Granado.

 

Os aprendizes de Sonoplastia iniciavam, então, um encontro de três horas com a cineasta Lina Chamie, diretora de “Tônica Dominante” e “Eu Sei Que Você Sabe”, entre outros. Lima fez uma breve introdução à história do cinema e falou sobre o papel da trilha sonora no cinema, em conjunto com as imagens e, em certos casos, até mais importante que elas. A cineasta exibiu a abertura do documentário “2001” com uma trilha sonora que não é a original do filme para explicar a diferença do efeito que os sons dão à produção.

 

Na sala 26, às 16h30, foi realizada uma performance de “Marilyn… Suicidada pela Sociedade”, que consistia em um “Parabéns a Você” que trazia uma sátira à famosa cena em que Marilyn Monroe cantou parabéns ao presidente Kennedy.

 

Iniciada às 16h e com duração de três horas, uma leitura do 5º ato de “A Gaivota”, escrita pelos aprendizes de Dramaturgia do Módulo Verde. Para isso, reuniram-se com aprendizes de Direção e recitaram os textos para uma “banca” composta por Rodolfo García Vázquez, Brian Penido Ross, Alessandro Toller e Lucienne Guedes, que analisavam a criação e davam suas opiniões sobre ela.

 

 

Fora da Escola

 

Fora da SP Escola de Teatro, as atividades culturais se espalharam por toda a cidade. No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), das 14h30 às 18h30, o público pôde acompanhar a exposição “O Mundo Mágico de Escher”, com 94 obras do artista gráfico que ficou mundialmente conhecido por representar construções impossíveis em suas criações.

 

O Teatro Ágora recebeu Celso Frateschi, às 20h, para a apresentação de “Sonho de um Homem Ridículo”, dirigido por Roberto Lage. O espetáculo foi inspirado pelo conto homônimo do escritor russo Dostoiévski, e narra a história de um homem que, após tentar o suicídio, adormece e sonha com a própria morte. 

 

Já o Teatro Anhembi Morumbi voltou a receber o público da Escola, às 21h, para uma sessão de “Jogando no Quintal”, espetáculo que simula um jogo de futebol entre palhaços e conta com uma banda de música que cria melodias ao vivo.

 

 

Horácio: Herói ou Assassino?

 

Duas fileiras de aprendizes da SP Escola de Teatro estavam postadas no palco do Teatro Anhembi Morumbi, esperando a entrada de Celso Frateschi, que aconteceu às 10h, para sua primeira apresentação do dia.

 

O ator iniciou recitando um texto de Brecht. Sem nenhum elemento de cenário e vestindo uma roupa comum, com apenas uma máscara, o ator começou a contar a história de Horácio, em uma narrativa rápida e forte. Uma história que remete a tempos longínquos, em que Roma e Alba estavam em guerra.

 

Após falar um pouco sobre a peça, o autor e a forma narrativa de interpretar, Frateschi respondeu questões relacionadas à arte, teatro, e até política.

 

“Não existe uma coisa ou outra coisa. Existe uma coisa e outra coisa”, disse, referindo-se à situação da personagem, que tinha dentro de si um herói e um assassino. 

 

Um dos principais temas abordados pelo ator foi o teatro de aprendizagem, que “coloca o autor como questionador, provocador”. Frateschi falou ainda sobre o papel do artista. “O artista, assim como o cientista, por exemplo, deve descobrir qual é a necessidade contemporânea. Temos, essencialmente, que provocar o novo.”

 

Perguntado sobre a importância da pedagogia no teatro, ele revela ter se inspirado em Brecht para explicar que a relação de construção de conhecimento é a mais importante entre pedagogia e teatro.

 

O aprendiz de Humor, Cris Oliveira, gostou do evento. “Achei muito legal, pois me identifico com o trabalho do Celso, que transcende o palco. E também é importante para a Escola, pois seus métodos despertam a visão crítica e ampliam o debate sobre o teatro.”

 

 

Fotos: Arquivo SP Escola de Teatro