SP Escola de Teatro

Que Venha o Próximo Semestre

Mais uma vez, tem início o Módulo Amarelo, que discute o modelo épico teatral. E, novamente, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco propõe colóquios com convidados e corpo docente da Instituição, com o objetivo de fomentar discussões acerca do tema abordado nessa próxima etapa de trabalho. 

 

Coordenadores, formadores e artistas residentes dos Cursos Regulares marcaram presença ontem (2), para ouvir o dramaturgo Luís Alberto de Abreu falar sobre narratividade. Ele abordou os gêneros épico, dramático e lírico, sobre os quais, aliás, deixou clara a sua posição: “Não sou partidário de nenhum gênero”, brincou. 

 

“Quando o narrador se envolve na história, o gênero passa a ser drama”, disse ao iniciar a conversa cujas perguntas motivadoras eram: Qual a importância da narrativa dentro da história a ser contada? Como discriminar o que deve obter maior peso? Qual seria a melhor forma de se comunicar com o público? 

 

Abreu deu sequência ao encontro, dizendo que se sentia envergonhado, pois não dominava o assunto. Mas o tempo foi passando, a discussão se tornando cada vez mais natural e suas palavras contradisseram rapidamente sua modéstia. 

 

Ao abordar o épico, além de explicar conceitos, Abreu disse que este é um gênero que o fascina.  “O épico associa imagens que se ligam umas às outras. O mais desafiador disso tudo é fazer a organização dessas imagens sem um núcleo dramático. Através dele, pode-se relembrar o passado e revivê-lo, assim como fez Shakespeare, Eurípides, Brecht, entre outros.” 

 

Ao adentrar o universo lírico foi enfático. “Todo estilo teatral estuda como eliminar o fator temporal. O que os diferencia é a linguagem que cada um utiliza para se referir ao tempo. O fato é que o lirismo anula completamente o tempo. Assim, possui uma força capaz de fazer o leitor achar que está sempre no presente.” 

 

Segundo ele, a música tem este poder, pois segue o ritmo do pulso, que pode ser repetitivo ou alternado. Dessa forma, a pessoa acompanha essa batida e perde a noção do tempo. 

 

Enfim, chega o momento “dramático” do colóquio. Para Abreu, o drama opera o tempo como algo contínuo; há um fluxo a ser seguido e isso possibilita um entendimento prévio. “No prólogo, já se imagina o que vai acontecer nas próximas cenas. A pessoa cria uma noção temporal e consegue enxergar o todo. Essa é a característica essencial do gênero”, finalizou. 

 

Os próximos encontros já estão marcados e vão contar com a presença de Georgette Fadel, Roberta Estrela Dalva, Pedro Cesariano e Rodrigo Lacerda.

 

 

 

Texto: Jéssika Lopes

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