Que História é Essa de Artistas Organizados?

Publicado em: 28/07/2010

 

Uma mesa de discussão, realizada na segunda (26), no Teatro Aliança Francesa, abriu espaço para uma conversa sobre gestão cultural. A palestra detalhou maneiras de delinear e focar os objetivos de grupos teatrais para planejar, gerir e organizar projetos com base na experiência de três profissionais que discutiram o emaranhado técnico, administrativo, financeiro e até político, que dá suporte à cena cultural brasileira.
 
 
O evento, organizado pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, recebeu o nome de Mesa Antítese, com o tema “Planejamento nas Artes Cênicas: Experiências  e Aprendizados”, contou com a participação de Cláudia Schulz, coordenadora do projeto Palco Fora do Eixo, Rômulo Avelar, consultor e gestor cultural, e Wellington Nogueira, do grupo Doutores da Alegria.
 
 
Quem começou a conversa foi Wellington Nogueira. O ator, além de contar a história de seu grupo, mostrou o ponto de vista de quando o palhaço sai do circo e leva seu conhecimento a outras esferas. “O palhaço é bobo, mas não é burro. Nosso grupo busca contínua formação e treinamento. Não se pode competir com a ignorância, tudo tem que ser feito com ética e qualidade. É papel do palhaço é desafiar a autoridade, subverter a ordem, quebrar as regras, ser inquieto e empreendedor. Nós temos até um cronograma que batizamos de Oréganograma.”
 
 
Na segunda parte da conversa, Rômulo Avelar, discutiu um lado mais teórico sobre o tema. Dando notas sobre a produção e gestão cultural, o consultor falou sobre a necessidade de formação de equipes multidisciplinares, a estruturação para a busca de recursos, o engajamento em coletivos e redes de troca, entre outros. “O meio cultural deve se render à importância do trabalho administrativo. O planejamento cultural deve partir de uma metodologia. Mas, também, o artista não deve esperar o ‘momento da descoberta.’ Afinal, é como se a padaria só fizesse pão se alguém financiasse. É necessário tomar as rédeas na mão e estabelecer uma estratégia na escolha dos caminhos.”
 
 
“Existe um processo de interação diferente entre as linguagens que compõe o novo modo de criação artística contemporânea na rede cultural que já está estruturada”, explica Cláudia Schulz, coordenadora do projeto Palco Fora do Eixo, que discutiu sobre seus trabalhos não só no projeto que coordena, como também no seu próprio coletivo, o Macondo. “Há uma necessidade de agregação e potencialização dos grupos e artistas independentes no que se refere a fomentar e estimular o diálogo e a capacidade criativa dos profissionais. Deve-se promover a circulação de arte independente. O artístico cultural sempre é o foco”, afirma.
 
 
Tânia Limeira, professora de marketing da Faculdade de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) gostou da iniciativa do projeto e disse que, a gestão cultural é sua área de estudo e, assim, o tema e os palestrantes da mesa de discussão a interessaram muito. “Trouxeram dois palestrantes experientes e uma pessoa mais jovem que retrata bem o lado mais informal da área. Foi ótimo porque estabeleceu um diálogo pouco explorado na formação que é a administração com a arte”, afirma.
 
 
O ator Mauricio Schneider afirmou que a discussão do tema é sempre muito importante, principalmente para artistas. “Nos dias de hoje, praticamente todos os grupos nascem com os artistas se auto-gerindo. Falar e discutir sobre o tema é essencial”, afirma.
 

Saiba mais em:

www.doutoresdaalegria.org.br

www.macondocoletivo.com.br

www.palco.foradoeixo.org.br

O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural, Rômulo Avelar, Editora Duo Editorial

 

Texto e Fotos: Renata Forato