Praça Roosevelt, SP ou Brooklyn, NY?

Publicado em: 19/11/2012

O hip-hop invadiu a Praça Roosevelt neste fim de semana. Sediado na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, o Fat Laces Festival 2012 reuniu oficinas, campeonato de break dance, batalhas crew e exposição de grafites (live painting). Assim, a Praça Roosevelt ganhou ares do bairro nova-iorquino do Brooklyn, exatamente onde o movimento hip-hop nasceu.

 

No sábado (17), a programação teve início com workshops de fotografia, vídeo e produção musical. Enquanto isso, no saguão da SP Escola de Teatro, o DJ Negrito soltava seu som. Na frente do prédio, os grafiteiros Graphis e BTS faziam sua arte em telas brancas. Mais tarde, ainda marcaram presença os DJs Marcelo Sá e Nico e o grupo Sujeira Brasileira.

 

Rafael Marcos, criador e organizador do evento, além de auxiliar de operação na SP Escola de Teatro, acompanhava tudo de perto. Segundo ele, o projeto, que foi criado em 2009 e conta com fomento do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) desde o ano passado, é a “finalização de um ciclo”. “Apesar de termos competição, o foco do festival é o intercâmbio cultural. A ideia é criar conteúdo web”, explicou ele. 

 

O ator Eduardo Estrela, que mora nos arredores da Praça, percebeu a agitação e foi conferir o que acontecia por ali. E gostou bastante do que viu. “Estou espantado. Acho maravilhoso. É um movimento absolutamente urbano, uma vocação da cidade. É fantástico que a Escola abra espaço para esses artistas”, comentou.

 

Outro que estava prestigiando o encontro era o multifacetado Vareta Marginal, que faz rap, grafite e dança. Ele saiu do Grajaú, na Zona Sul, para participar do festival. “É muito especial para mim ver isso aqui. É como se fosse encontrar a periferia no centro da cidade”, disse.

 

E a festa continuou no domingo (18). Desde as 13h, enquanto grafiteiros concluíam seus trabalhos nos arredores da Praça Roosevelt, em frente à Sede da SP Escola de Teatro, B.boys aqueciam os motores, no saguão, para participar de uma envolvente Batalha Crew (de break dance). Dentre os competidores, estavam B.boy Negão, Enrique, B.boy Sonek, Yago Street Son e Bboy Denis. Foi então que Rafael Marcos deu o aviso: “Já está tudo preparado para a Batalha Crew, no sexto andar. É tudo nosso!”. 

 

Segundo cálculos da organização, cerca de 1.500 pessoas passaram pelo Festival, durante seus dois dias. “Foi muito bom. O Fat Laces ficou perfeitamente integrado com o pessoal que frequenta a praça, como skatistas, crianças. Gostei muito”, avalia Rafael. “Eu adorei, mãe! E o salto-mortal daquele cara, demais”, dizia a pequena Amanda, 8 anos, olhinhos brilhantes e atentos a tudo o que acontecia ao seu redor. “Essa é a verdadeira vocação da SP Escola de Teatro:  a de agir como elemento agrupador de tribos, movimentos, enfim, culturas. Tudo, claro, com a participação da sociedade”, afirmou Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro.

O encerramento do evento aconteceu às 20h, do domingo, mas, infelizmente, sem o show da banda Punho, como previsto.

 

Texto: Felipe Del e Majô Levenstein 

 

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