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Performance é Tema de Curso de Difusão Cultural

Publicado em: 14/04/2011

Na primeira quinzena de abril, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco vai abrir inscrições para os segundos módulos dos cursos de Difusão Cultural. Um dos destaques nesta programação é o curso Formas do Realismo e Emergência da Performance na Cena Contemporânea, ministrado pelo jornalista Kil Abreu.

 

Durante o primeiro módulo do curso, Abreu levou os participantes a estabelecer uma análise crítica sobre o teatro atual brasileiro no que se refere à cena realista e a realidade nas fronteiras da performance e, agora, pretende explorar as abordagens da performance art no campo das artes plásticas, da música, do vídeo e da dança, além das relações entre esse gênero teatral na cena contemporânea.

 

Para o jornalista, existe um amplo movimento de invenção que, em geral, não se assenta definitivamente nem na imitação fiel do real (por um lado) nem na suspensão absoluta da representação (por outro). “A possibilidade de um estudo que parta do realismo e possa alcançar elementos da performance sugere a discussão deste espaço intermediário em que a cena brasileira se movimenta, por meio de dramaturgias cênicas a um só tempo em diálogo com a realidade, mas também na direção da sua suspensão crítica”, diz. 

 

Assim, no módulo Performance, Abreu pretende abordar a representação e atuação, os indícios de performancização da cena brasileira e os caminhos do teatro político como o teatro e seu discurso, os teatros de intervenção e o teatro e a cidade. “Eu costumo trabalhar com poucas teorias. Para mim, o fundamental deve ser o interesse vivo da turma de participantes pela realidade”, revela.

 

Na opinião de Kil, há uma tradição e um conhecimento já formulados e que são bases importantes, porém o curso será apoiado na reflexão. “Penso que um curso como este tem como tarefa fundamental construir conhecimento sobre o teatro (o nosso), e não encaixá-lo nos escaninhos que já estão prontos. De todo modo, é claro que há uma tradição e um conhecimento já formulados, que são importantes e são bases das quais nós vamos avançar”, explica o jornalista.

 

De um modo geral, Abreu entende que estes encontros servem mais à crítica sobre o fazer teatral que à informação. “Minha ideia não é informar sobre os temas, mas tentar oportunizar um lugar de reflexão mais vertical sobre eles. Isto será importante na medida em que cada participante puder se empenhar com o seu próprio repertório e suas questões. O aproveitamento depende também deste empenho”, revela o jornalista.

 

“Os estudos podem ser mais produtivos quando se cria um espaço para um encontro vivo em que as questões pautadas pelo curso possam encontrar lugar no sentimento e na prática dos participantes. Uma aula deveria ser isto: o fomento que o mestre deve fazer à autonomia de pensamento do aluno”, conclui Abreu.

 

Abreu é pós-graduado em Artes, pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), foi curador dos festivais de teatro de Curitiba e Recife, além de crítico do jornal Folha de S. Paulo, diretor do Departamento de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura/SP e coordenador de projetos como o Programa Municipal de Fomento ao Teatro (Lei do Fomento) e Formação de Público. 

 

Como consultor, prestou assessorias a Petrobrás, Instituto Itaú Cultural, Sesc e secretarias de cultura de vários Estados. Tem artigos e ensaios publicados nos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, e nas revistas Bravo!, Cult, Cultura/Vozes, Folhetim, Sala Preta e Subtexto.

 

O curso, destinado a maiores de 18 anos, abre suas inscrições na segunda-feira (18/04) e será realizado às quartas-feiras, das 19h às 22h, com início em 25/05 e término em 13/07.