Para dramaturga, formação na SP Escola de Teatro valoriza papel coletivo da arte

Publicado em: 11/04/2019

ALLAN NASCIMENTO

“A SP Escola de Teatro me ensinou a valorizar as relações construídas no processo mais do que a valorização do produto final”, comenta Carol Pitzer, dramaturga que concluiu os quatro módulo de formação na Escola em 2017. Nome que assina textos como ‘Borboletas Não Gostam de Frio’ (inédito) e ‘Enquanto Ela Dormia’, ela explica que a passagem pela Escola a conduziu por um rico processo de construção artística.

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“Se tem uma coisa muito clara pra mim na minha trajetória na SP Escola de Teatro, é a evolução da minha capacidade dialógica, das maneiras de lidar com o coletivo”, explica. “A escola foi essencial pra minha construção como artista, especialmente para a compreensão de que a escolha dos modos de produção teatral é uma escolha política. Todo teatro é político. Senão no conteúdo, em sua forma de trabalho, que reflete no produto final.”

Formada em cinema e com passagem por uma companhia de teatro amador no início da carreira, Pitzer decidiu trocar o Rio de Janeiro por São Paulo a partir do momento em que ficou mais forte a necessidade de estudar dramaturgia. “Entre 2012 e 2015, fiz diversos trabalhos como atriz e comecei a perceber meu interesse pela escrita dramatúrgica em exercícios de improvisação. Foi quando notei que gostava mais de reorganizar e estruturar as cenas inicialmente improvisadas do que estar nelas”, acrescenta.

A partir da experiência na SP Escola de Teatro, Carol Pitzer entrou em contato com profissionais de várias vertentes. Relações estas que, segundo ela, permitiram que o seu fazer dramatúrgico se mantivesse ativo mesmo depois de encerrar o período de dois anos de formação. “Eu já tive um texto estudado por estudantes e que ganhou uma leitura dramática no projeto SP Dramaturgias – que promove a discussão e o estudo da dramaturgia também entre estudantes de outros cursos. Também já tive textos que surgiram a partir do contato com ex-estudantes da Escola com quem eu não havia trabalhado na instituição, mas que tinham visto meu trabalho em experimentos e queriam trabalhar comigo.”

Para Pitzer, além de aprender a trabalhar em diálogo permanente, tanto com os parceiros dramaturgos quanto com os integrantes de núcleo dos outros cursos, a SP Escola de Teatro também lhe ensinou a “defender” sua produção com propriedade, com autonomia. “Aprendi a olhar com mais cuidado para minha própria produção textual. Agucei minha compreensão dos motivos pelos quais certos elementos eram necessários no texto. Isso me fez entender melhor o que precisa estar efetivamente escrito – como rubrica ou como fala – para que a dramaturgia se sustente como obra, independente das decisões de direção.”

Segundo a dramaturga, o método de escrita de alguns dos seus textos tem muita influência da metodologia que ela vivenciou na SP Escola de Teatro. “Em alguns deles, os processos se iniciaram a partir de uma conversa minha com os atores sobre as nossas inquietações e desejos de escrita, tentando compreender o que nos atravessava coletivamente”.

A relação entre Carol Pitzer e a SP Escola de Teatro permanece estreita mesmo com o término da sua formação. Ela apresentou nas Satyrianas de 2017, dentro do projeto Ouvi Contar, a cena ‘Marlene’, que deu origem ao texto de ‘Borboletas não Gostam de Frio’, ainda sem previsão de estreia ou publicação. Em 2018, montou com dois egressos do curso de Humor o espetáculo “[ABSURDAS]”, que estreou em janeiro deste ano no Teatro Sérgio Cardoso. “Depois de finalizar o curso, ainda orientei um curso de extensão de dramaturgia performativa, em parceria com o artista plástico e performer Alê Souto. E Lúcia Camargo [coordenadora de Extensão Cultural da Instituição], sempre manteve as portas abertas pra mim – foi a partir desse contato que pude desenvolver “[ABSURDAS]” em residência artística na SP Escola de Teatro”, explica. Além disso, Pitzer também mantém um grupo de estudos e produção textual com colegas que estiveram na escola durante a sua passagem.

PROCESSO SELETIVO

Quem quer passar por essa experiência de produzir arte e transformar essas vivências em uma profissão, como fez Carol, tem a oportunidade de se inscrever nos cursos regulares da SP Escola de Teatro até o dia 29 de abril. Uma chance de estudar teatro com profissionais renomados e sem pagar nada por isso. Como reforça a dramaturga, a experiência, que dura dois anos, é um importante cartão de visitas para quem deseja trabalhar com a escrita para o teatro. “O curso de dramaturgia da escola tem uma excelência que, por si só, eleva o currículo.”




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