Papo de Teatro com Renata Zhaneta

Publicado em: 14/05/2012

Renata Zhaneta é atriz, preparadora corporal, diretora e professora de interpretação

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Em Santos, quando ingressei em um grupo de teatro amador dirigido por Bellarmino Franco.
 
Lembra da primeira peça a que assistiu?
Não lembro da primeira peça a que assisti, mas lembro muito bem da peça que fiz aos dez anos na escola. Acho que, desde então, o bichinho do teatro já tinha me picado…lembro de tudo como se fosse hoje…

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Novas Diretrizes em Tempos de Paz”,  de Bosco Brasil, dirigido por Ariela Goldmann.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.
O teatro modifica a gente todos os dias, seja assistindo, fazendo, dando aula, enfim… a mudança é uma constante no nosso universo.

Você teve algum padrinho no teatro?
Se padrinho é aquela pessoa que nos aconselha sempre de maneira positiva, posso dizer que o Umberto Magnani é o cara, mesmo sem ele saber disso.

Já saiu no meio de um espetáculo?

Não. Por respeito a quem faz.

Teatro ou cinema?
Os dois, cada um com suas delícias.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado.
“Zorro, o Musical”, dirigido por Roberto Lage. Era um espetáculo emocionante, sensual, com uma história linda, muito bem contada. Arrebatador! Gosto de arrebatamentos.
 
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo?
Vários! Quando gosto, volto sempre que é possível. Um deles: “Doze Homens e uma Sentença”,  genial!

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? 
Admiro a tantos que seria leviano citar algum em particular…

Qual companhia brasileira você mais admira?
Tenho um carinho especial pela Cia. Estável de Teatro. Grupo sério, talentoso, combativo e artisticamente primoroso.

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Ultimamente tenho visto todos os filmes do Ricardo Darín, ator argentino que nos brinda com interpretações antológicas.

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Se a peça for boa, qualquer gênero é bom. Do contrário…

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Não tenho preferências.

Fale sobre o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou.
Não sei se foi o pior, mas fiz um espetáculo que se chamava “Ressuscita-me”, que o público e a crítica não gostavam não… Foi uma lição de vida. Aprendi muito com aquela experiência.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Acho que existe peça ruim e encenador que se equivoca. O bom é que nem sempre o encontro se dá…
 
Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
O espetáculo dos meus sonhos é ver o Brasil destinar um orçamento decente para a cultura em todos os níveis de governo! E ver os artistas podendo fazer seu trabalho com dignidade!

Cite um cenário surpreendente.
“Clarão nas Estrelas” do J.C. Serroni.

Cite uma iluminação surpreendente.
Da Lúcia Chediek em “Os Crimes do Preto Amaral”.
 
Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Ele sempre supera as  minhas expectativas, porque é um ator excepcional: Walter Breda!

O que não é teatro?
O que é feito sem cuidado, ou, na linguagem popular, nas coxas!

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Não. Válido é uma palavra horrível, que serve só prá justificar o injustificável.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Vixi! Eu ando querendo saber também… A gente precisa conversar, como dizia Plínio Marcos… “Bora bater uns papos, gente?”

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Obras do Shakespeare.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira
Sou fã de muita gente, mas uma atriz me tira o fôlego: Cleyde Yáconis.

Qual o papel da sua vida?
O que eu estou fazendo no momento. Agora, por exemplo, estou me deliciando com uma ama (a Nora) num texto de Luís Alberto de Abreu: “Francesca”.
 
Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Olha, eu perguntaria, para os autores que estão produzindo hoje, a próxima deste questionário: O teatro está vivo?

O teatro está vivo?
E, respondo, reforçando uma questão que já levantei anteriormente: não é mais possível trabalhar sem que tenhamos um orçamento decente para a cultura. Então, fico pensando: Como é que podemos manter vivo um setor que não tem como se viabilizar materialmente? E mais: Que nação é essa que estamos construindo? Que “potência” seremos sem um investimento real em cultura? Acho que já passou da hora de entrar na pauta do País essa questão: é muito sério!