Papo de Teatro com Jorge Vermelho

Publicado em: 21/11/2011

Jorge Vermelho é ator e diretor

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Ainda na escola, onde montávamos espetáculos com os colegas de classe. Após esse período percebi que a minha comunicação deveria acontecer por meio do teatro.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

“A Lira dos Vinte Anos”. Foi incrível,  pois percebi o jogo existente na estrutura do teatro, entre ficção e realidade, e isto me conquistou.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“O Livro de Jó”, do Teatro da Vertigem

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“Les Éphémères”, com Théâtre du Soleil

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Sim, por não suportar os equívocos.

 

Teatro ou cinema? Por quê?

Teatro. Pelo jogo exposto e compartilhado no ato.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

“O Livro de Jó”,  pelo brilhantismo da dramaturgia e da encenação.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Sim. Para me apropriar de detalhes que em primeiro momento não percebi.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique. 

Brasileiro: Luís Alberto de Abreu, pela genialidade na utilização das ferramentas. Estrangeiro: Bertold Brecht, pela genialidade na desconstrução das ferramentas estabelecidas.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Teatro Oficina Uzyna Uzona.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Georgette Fadel, uma louca necessária.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Épico.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Prefiro sempre da quinta fila para trás, pois assim conseguimos enxergar tudo, inclusive os pés do atores. O pior lugar sempre está nas laterais mal projetadas, onde perde-se as cenas que estão localizadas mais ao fundo. Mas o pior lugar mesmo é a cadeira de diretor.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

O melhor, Sesc Anchieta, em São Paulo. O pior, muitos.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

Existem bons textos e textos ruins. Um bom texto, com um bom diretor, resulta em um bom trabalho, o contrário também.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Ainda não penso sobre isso. Os sonhos se constroem dia a dia.

 

Cite um cenário surpreendente. 

“Paraíso Zona Norte”, cenário de J. C. Serroni.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

“Quartet”, de Bob Wilson.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Dan Stulbach, em “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”.

 

O que não é teatro?

O que não comunica.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Sim, com regras claras.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Desde que discuta o homem, o futuro é contínuo. Renova-se.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

As de Brecht, de Heiner Müller, Nelson Rodrigues, os dramaturgos brasileiros contemporâneos e os melodramas circenses.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Diretor: Enrique Diaz. Autor: Fernando Bonassi. Ator: Matheus Nachtergaele. Atriz: Georgette Fadel.

 

Qual o papel da sua vida?

Alberto Caeiro, em “Orpheu – O Guardador de Rebanhos”.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Pergunta para Brecht: Para distanciar é preciso aproximar?

 

O teatro está vivo?

Dentro de mim. Só consigo responder isso.