Papo de Teatro com Evill Rebouças

Publicado em: 15/10/2012

Evill Rebouças é ator, dramaturgo, diretor e pesquisador teatral

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Quando vi teatro pela primeira vez na escola.

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
“O Despertar da Primavera”, de Frank Wedekind, direção de Calixto de Inhamuns. Fiquei fascinado! Eram jovens como eu fazendo o que eu queria fazer.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver teatro foi…
“O Beijo da Mulher-Aranha”, direção de Ivan de Albuquerque, feito por Rubens Corrêa e José de Abreu.

Um espetáculo que mudou sua vida, foi…
“Antonin Artaud”, interpretado por Rubens Corrêa.

Você teve algum padrinho no teatro?
Oficialmente, nenhum. Mas considero minha professora de primário, Carmen Rita Arantes, minha madrinha.  Foi ela que me levou ao teatro e me incentivou.

Já saiu no meio de um espetáculo?
Nunca.

Teatro ou cinema?

Teatro. É a minha casa.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê? 

“Palhaços”, feito por Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia. Direção sublime de Gabriel Carmona, na qual os atores eram a matéria-prima da cena.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

“Feliz Ano Velho”. Tinha acabado de ler o livro do Marcelo Rubens Paiva e queria entender o processo de transcrição para o palco.

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?

Qorpo Santo
, um sujeito que antecipou muitas questões potentes no que diz respeito à dramaturgia e Osvaldo Dragun,  por produzir peças que discutem questões políticas, sem necessariamente, os discursos estarem em forma de diálogo.

Qual companhia brasileira você mais admira?

Cia. dos Atores
.

Existe um artista ou grupo de teatro que você acompanhe todos os trabalhos?
Acompanho quase sempre os trabalhos de Lucia Romano e Luciano Chirolli.

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Gosto do teatro que abre lacunas para o espectador construir o seu ponto de vista sobre a obra, independentemente do gênero.

Em qual lugar da plateia você gosta de se sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Gosto de me sentar do meio para o fim. Para ter uma visão mais ampla. É bom também assistir no palco. Não me lembro do pior lugar.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe espetáculo que não realiza comunicação com o espectador – e isso pode ser em decorrência de vários fatores.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Ainda não sei. Mas, provavelmente, não seria em um teatro convencional.

Cite uma Iluminação surpreendente.
Guilherme Bonfanti, em “O Livro de Jó”, com a companhia Teatro da Vertigem.

Cite um cenário surpreendente.

Cenário de Hélio Heichbauer para “Anjo Negro” (um aquário com um peixe dentro), de Nelson Rodrigues.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Eduardo Okamoto.

O que não é teatro?

Aquilo que não se releva como ato estético.

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Não sei (ainda que o teatro abranja outras linguagens).

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Criar dramaturgias por meio da tecnologia.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Não tenho muitos textos de teatro, mas tenho muitos livros sobre teoria teatral. Não poderia faltar “A Obra Aberta”, de Umberto Eco.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Diretor: Enrique Diaz; Autor: Brecht (principalmente, as peças de aprendizagem); Ator: Daniel Ortega;  Atriz: Georgette Fadel.


Qual o papel da sua vida?

Ainda vou escrevê-lo (rs).

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

Sr. Nelson Rodrigues, como o senhor se sente tendo suas obras impedidas de serem montadas por questões financeiras?

O teatro está vivo?

Segundo Chico de Assis, há muito que se diz que o teatro vai morrer… Mas esse boato é apenas para que aqueles que não são de teatro se retirem.