Papo de Teatro com Cleber Papa

Publicado em: 05/12/2011

Cleber Papa é diretor cênico, cenógrafo e produtor

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Devia ter entre 5 e 6 anos quando comecei a ouvir radioteatro com meu avô Domenico. Ele sentado, com o cotovelo direito apoiado na mesa e a mão em concha no ouvido. É ainda hoje uma memória forte. Acho que daí nasceu a curiosidade pelo interprete, pela sonoplastia, pela música associada à palavra, pela representação.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

As primeiras peças foram infantis. A primeira que lembro foi “Reinações de Narizinho”, uma adaptação de Monteiro Lobato. Ainda muito novo era assíduo no TAIB, na Rua Três Rios.   

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

Sem exagero, acho que os bons espetáculos sempre fazem ver o teatro de outro modo, considerar novas perspectivas. 

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

Não consigo ver nesta dimensão.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não tive um padrinho, mas pessoas que acreditaram e acreditam no que faço e farei. E um anjo da guarda muito pessoal.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

No intervalo de ópera algumas vezes. Quando a encenação erra a mão ou a música não soa bem…

 

Teatro ou cinema? Por quê?

Teatro, cinema e ópera em qualquer das ordens. Se soubesse por que talvez estivesse fazendo outra coisa.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

Não tenho esta fantasia.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Várias vezes. Na ópera isto é comum. Mas também acho legal no teatro, no cinema. Há interpretações que valem a pena.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?

Fico atento à dramaturgia contemporânea. De certo modo devo isto ao Renato Borghi, pois fui estimulado por ele a uma imersão neste tema. Na ópera gosto de Puccini, Mozart, Wagner, dos russos e de ver tudo o que não conheço, principalmente os novos. 

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Admiro a persistência. Teatro da Vertigem, Parlapatões, Maurício Paroni de Castro… Pena que não dá para acompanhar tudo.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Não. Ou se tem, é acaso puro. Não sou “fã” típico.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Dizer que é a ópera soa óbvio demais. Gosto de ir ao teatro quando “sinto o cheiro” de coisa boa. Às vezes a gente erra, mas é parte da experimentação.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Não gosto de cadeira sem encosto, nem sem espaço para cruzar as pernas. Prefiro os corredores preferencialmente entre quinta e oitava fila (meus elencos sabem por que). 

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

A experiência com a Cia. de Ópera Curta nos levou a mais de 60 cidades até 2011 e nos deu uma dimensão de praticamente todas as possibilidades de uso do espaço teatral com as mesmas montagens. Então, não há espaço ruim. O que estraga os espaços são as pessoas. Dá para perceber quais os piores gestores, técnicos, iluminadores. Os piores são os que fingem ser o que não são. Pessoas das quais quero distância. A cada vez mais tenho aperfeiçoado esta percepção. 

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Acho que as duas coisas coexistem. Mas uma boa encenação pode salvar um texto ruim. Entretanto, é mais fácil encontrar o inverso. 

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Seria divertido montar a ópera “Salvador Rosa” (de Carlos Gomes) para os italianos (como ele disse que compôs) num grande teatro Italiano. Ou, por aqui mesmo, certa peça que namoro há algum tempo. Quanto aos elencos, prefiro viabilizar primeiro.

 

Cite um cenário surpreendente.

“La Boheme”, do Hugo de Anna, na reinauguração do Teatro Colón no ano passado. Uma exuberante adaptação do “construtivo” com tecnologia. Há também um detalhe de um cenário de Josef Svoboda e sempre me surpreendo quando penso nele e nas possibilidades.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

Ando um pouco decepcionado com algumas coisas que tenho visto em luz. Por outro lado, alguns profissionais são extravagantes, muito acima da média. Gostei muito do trabalho do Bonfanti em “O Bosque”, tenho prestado atenção na Marina Stoll (“Menecma”),  no Beto Bruel (“Ptedotátilos”).

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

É injusto citar este ou aquele. Então, combinamos assim: destaco uma amiga – a Luah Guimarães – e ela representa muito bem todos os excelentes profissionais que temos.

 

O que não é teatro?

A vida real.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Que ideia mais besta…

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Como sempre, o teatro se obrigará a incorporar tecnologia e experimentar com e sem para ver como fica.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Nenhuma. Livro que entra não sai de jeito nenhum.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Admiração é fugaz, mas respeito vários profissionais. 

 

Qual o papel da sua vida?

Acho necessário tornar a arte, o teatro (prosa, ópera, musical) mais presente na vida das pessoas.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Will, let me not burst in ignorance; but tell

Why thy canoniz’d bones, hearsed in death,

Have burst their cerements?

 

O teatro está vivo?

E passa muito bem. Por que não?

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