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Os Últimos Momentos

Publicado em: 01/06/2011

O que se passa na cabeça de alguém nos 15 minutos que precedem seu suicídio? Essa será a situação retratada nos 15 minutos da cena da apresentação do Experimento do grupo Oito do Módulo Verde, que é dirigido pelos aprendizes Durval Mantovani, Francisco Andrade e Nara Janusz e tem Laura Reis, artista residente de Cenografia e Figurino, como orientadora.

 

Os principais conceitos investigados pelo grupo são: o espelhamento, a antropofagia e a incomunicabilidade. Apesar de os dois primeiros serem muito complexos para se sintetizar em poucas linhas, é possível ilustrar como estão inseridos no trabalho do grupo. 

 

A aprendiz de dramaturgia, Mayra Bertazzoni, resume o espelhamento como uma forma de trabalhar com um contraponto entre duas personagens. “Um exemplo disso é: enquanto uma personagem obteve êxito e se dedicou unicamente à profissão sem aproveitar muito de sua vida pessoal, a outra é inversamente proporcional, ou seja, não obteve tanto sucesso profissional mas desfrutou mais de experienciais pessoais.”

 

Em relação à antropofagia na cena do grupo, Mayra explica que “as personagens não interagem, elas se consomem, extraem tudo o que podem umas das outras”.

 

Após definir todos os conceitos e ideias sugeridas nas primeiras conversas, o grupo decidiu adotar um “modo de produção colaborativo” em que todos os aprendizes participassem ativamente. “Para que este sistema se estabelecesse, estimulamos as capacidades criativas de todos os integrantes do grupo, sempre privilegiando a escuta e articulando as diversas dramaturgias”, explica a diretora Nara Janusz.

 

Assim, a cena proposta pelo coletivo vai tratar dos últimos minutos de vida de Trépliov, um jovem escritor que já desfruta de certo sucesso, mas que se sente desprezado por todos ao seu redor. Sua única fonte de afeto é Sórin, que está a beira da morte. “Trépliov, dentro de seus devaneios, enxerga as personagens reais que fazem parte de sua vida distorcidas diante de seu estado alterado”, ressalta Nara.

 

Os delírios da personagem ganham intensidade enquanto vêm à tona as lembranças de sua breve existência. Toda essa confusão mental é reforçada por efeitos sonoros e de luz. O aprendiz de Sonoplastia, Rodrigo Roman, explica que pensaram em “uma luz que não tivesse uma carga tão realista, que passasse a ideia de deformação”.

 

Ecos, sintetizador, efeitos que causam distorção irão ditar o tom da cena. No entanto, George Domingos, aprendiz do mesmo curso, explica que também estarão presentes elementos realistas.

 

Já da parte de luz, os aprendizes de Iluminação, Leonardo Moreira e Flávio Portella, ressaltam a importância do trabalho em grupo para que a proposta central atinja todas as áreas. “Trabalhamos de uma maneira que pode ser chamada orgânica. Todos os cursos se apropriaram do tema para sugerir ideias específicas”, diz Moreira.

 

Quando aos aspectos técnicos. Portella define: “Optamos por focos, que são manchas isoladas de luz, para expressar o isolamento e a incomunicabilidade entre as personagens. Será uma luz bem simples e limpa”.

 

Toda essa proposta contará com a atuação de aprendizes de Humor. Porém, arrancar risadas dos espectadores não é uma obrigação para eles. “Como é nosso primeiro semestre, queremos sentir como é estar presente no palco, depois vem o humor. Não dá para simplesmente bater os olhos no texto e propor um humor falso”, alerta Lucienne Faquinelli, uma das atrizes.

 

O grupo aparenta estar tranqüilo para a apresentação. Esse espírito é ilustrado pelo diretor Francisco Andrade. “Encaro a apresentação como o meio do processo, por isso não tenho uma expectativa formada sobre ela. Mas, exceto alguns imprevistos, tudo está resolvido e correndo bem.”

 

Enquanto isso, a aprendiz de Dramaturgia Mayra se mostra mais empolgada. “Tenho boas expectativas. Fiquei bastante feliz com o resultado e, principalmente, pelo respeito que tiveram pelo texto, conseguimos resolver tudo tranquilamente.”

 
 
* Foto Ilustrativa do Experimento do Módulo Verde de 2010
 
 

Serviço

Apresentação do Experimento – Grupo Oito

Quando: 4 de junho, às 16h30

Onde: Teatro Anhembi Morumbi

Rua Dr. Almeida Lima, 1.198 – Brás

Entrada franca

Aberto ao público