O Livro do Mês | “Entrevistas com Francis Bacon”

Publicado em: 05/09/2013

Desde junho, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco traz, mensalmente, uma indicação literária de Maurício Paroni de Castro, diretor e dramaturgo, que também coordena o espaço de discussão informal que ganhou o nome de Chá e Cadernos, também mensal, realizado sempre na última sexta-feira do mês, na Sede Roosevelt da Instituição.

Assim, o Livro do Mês de setembro, segundo dica de Paroni, é “Entrevistas com Francis Bacon” (Cosac Naify, 208 págs., R$ 72), de David Sylvester, com tradução de Maria Theresa de Resende Costa.

Desde sua publicação, em 1975, este livro é considerado um clássico de grande influência não somente para historiadores, mas também para músicos e escritores interessados nos desafios próprios à feitura da arte. Lançado em 1998, ganhou novo projeto gráfico, nota biográfica sobre o artista e texto de orelha assinado pelo curador Gabriel Perez-Barreiro em sua segunda edição. As nove entrevistas que Bacon, um dos mais importantes pintores do século 20, concedeu ao crítico inglês David Sylvester, entre 1962 e 1986, são o testemunho mais completo de seu processo de criação e concepção de arte. Abstração, fotografia, escultura, realismo, surrealismo, morte e a experiência familiar do artista são alguns dos temas abordados. Além de conhecer o olhar do artista sobre a própria obra, o leitor tem acesso à leitura carregada de sensibilidade e erudição de Sylvester, um dos maiores nomes da crítica contemporânea.

“Não há como pensar qualquer imagem da contemporaneidade sem termos a referência, a favor ou não, desse genial pintor irlandês transplantado na Inglaterra. Ele é a suma do expressionismo, surrealismo, realismo e crítica sintética e analítica da dissolução da objetividade da presente paisagem cotidiana. Daí deriva a sua teatralidade. Se ver a sua obra é uma experiência imprescindível para o artista de palco dotado de consciência, a leitura destas  suas entrevistas será uma rara aventura no cerne da mente de um artista”, observa e recomenda Paroni.
 

Texto: Esther Chaya Levenstein