“O FUTURO” ou SE FOR ASSISTIR VÁ NA PAZ

Publicado em: 07/12/2020

Por Cabeça de Touro, especial para a SP Escola de Teatro

 

O futuro é pausado? Assistir ao futuro é monótono? Medo ou ansiedade do futuro chegar ao fim? Queria não escrever sobre, mas de tudo podemos tirar uma impressão. Não entendi; vai ver buscar entender seja um dos problemas.

 

O FUTURO ou Já sinto saudade desse mundo ou Cemitério dos extintos tem direção assinada por José Roberto Jardim e texto de Newton Moreno. Jogado na penumbra de uma escada de emergência, um dos personagens enfrenta sérios problemas dentro da escola. Depois de atacar um homem, a direção suspende o aluno que, já fragilizado em detrimento de outros problemas pessoais, procura se esconder, ao que parece, do seu futuro.

 

Ao meu ver, não há uma construção convincente em torno da problematização de que “para toda ação existe uma reação. Entre pausas e mais pausas, o que era para ser um vídeo de quinze minutos pareceu durar uma hora. Mas em nenhum momento adiantei O FUTURO. Preferir parar e voltar com mais calma para entender melhor o que acontecia ali. Não funcionou.

 

Talvez O FUTURO seja um título muito vago, mas assistindo à apresentação entendi. Ou acho que entendi. O futuro pode ser uma daquelas coisas que você assiste e no final alguém fala uma frase e aquele grande “AAAH AGORA EU ENTENDI” aparece – e daí você pensa “quinze minutos que poderiam ser cinco (sem pausas)“.

 

Não tenho problemas em não entender algo, mas gosto de sair de qualquer experiência com um sentimento de incerteza que, no mínimo, tateie a formulação de uma impressão, de uma não-compreensão misturada com ideias do que poderia ter acontecido ali, mas isso não aconteceu. Me deixei levar durante esses quinze minutos (ou uma hora ou cadê o fim que não chega) de maneira insatisfeita. O texto apresenta dramas que, para mim, não pareciam reais ou não me faziam criar empatia pelo personagem – quer dizer, personagens: tentei, até mesmo enquanto escrevo esse texto, falar sobre uma personagem que me parece estar delirando através de falas. 

 

O FUTURO é pausado, senão você não digere. O futuro é monótono porque entre pausas você é forçado a lembrar dele. O futuro cria em você a ansiedade para que chegue logo ao fim. Medo? Medo só se for dele não acabar.

 

* Cabeça de Touro é participante da oficina olhares: poéticas críticas digitais, oferecida pela SP Escola de Teatro e ministrada pelo crítico Amilton de Azevedo, que supervisiona a produção e edita o material resultante.

 




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