SP Escola de Teatro

O Artesão da Luz

“Iluminação Artesanal” foi o tema da aula de ontem (14) do curso de Iluminação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Para abordar o assunto, João Donda foi convidado pelo coordenador Guilherme Bonfanti para um encontro com os aprendizes do Módulo Amarelo.

 

Segundo Bonfanti, existem várias razões para ter escolhido Donda. “Eu o conheci há 11 anos, e ele já me ensinou muitas coisas. É um profissional que tem uma habilidade artesanal absurda, além de uma capacidade de criação enorme. Eu o vejo como uma espécie de Professor Pardal, porque ele tira leite de pedra. Ele também tem uma trajetória múltipla no teatro, já fez de tudo um pouco. Assim, repassar essa experiência pode ser muito interessante.”

 

Donda começou falando sobre sua trajetória profissional no teatro, que teve início em 1969, como ator de um espetáculo. Porém, logo seu interesse se direcionou à iluminação, quando viu uma peça no Teatro Municipal de Rio Preto com uma luz que o deixou “fascinado”. Daí em diante, se dedicou a experimentar várias formas de iluminação.

 

“A precariedade dos refletores naquela cidade era muito grande, então, a prática de inventar equipamentos e improvisar era comum. Para cada cena, fazíamos um tipo de coisa, tinha luzinha de tudo que era jeito”, relembrou o convidado, com um sorriso no rosto.

 

Buscando aprofundar seu conhecimento na área, Donda veio para São Paulo. Segundo ele, mesmo assim não deixou de investigar formas alternativas de luz, e começou uma profunda pesquisa sobre o olho humano. “Trabalhamos para imprimir imagens para os olhos das pessoas. A visão é responsável por 90% das informações recebidas por nós. Então, é fundamental estudar o olho e a forma como a imagem chega ao cérebro. Para o iluminador, facilita muito na concepção e na solução de problemas.”

 

Em seguida, Donda falou sobre as “traquitanas”, como ele próprio intitula suas invenções e experimentações. Nesse sentido, uma das experiências que mais o agradou foi quando teve que adaptar uma luz de jardim, que ia mudando sua tonalidade, para um espetáculo com orçamento baixo. Na ocasião, unindo criatividade à falta de recursos financeiros, o iluminador atingiu seu objetivo e deu uma boa resposta à proposta do grupo para o qual trabalhou.

 

“Tudo é possível de se inventar. Basta aceitar o desafio e saber transportar de um lugar para o outro. Mas é preciso ter em mente que o mais importante é a funcionalidade, e não apenas criar por criar”, disse.

 

A aprendiz Luciana Ponce considerou a aula importante como complementação do aprendizado do conteúdo do Módulo Amarelo. “Essas possibilidades de luz não convencional e sem refletor são interessantes, porque estamos estudando o teatro épico. Vai ser muito útil para o Experimento, assim, cada um pode montar a sua luz e trazer pronta, sem depender de refletores”, finalizou.

 

 

Texto: Felipe Del

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