SP Escola de Teatro

No dia da Mulher Negra Latino-americana, Caribenha e da Diáspora, confira 12 artistas da região que fizeram e fazem história nas artes do palco

Dia 25 de julho é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data foi instituída e reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), por conta do 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, reunião importante na história da luta e resistência da mulher afro-latina. O evento, que aconteceu no dia 25 de julho de 1992, foi promovido por diversos grupos feministas negros de 32 países diferentes, que se reuniram na República Dominicana para discutir, questionar e reivindicar políticas públicas que mudaram a realidade da mulher negra latina.

Em 2014, no Brasil, a data também foi escolhida como o dia da Mulher Negra e o dia Nacional de Tereza de Benguela, figura simbólica na luta contra a escravidão no país. Tereza viveu no século XVIII e foi casada com o líder do Quilombo do Piolho, José Piolho. Após a morte do marido, Tereza se tornou a líder do quilombo e, durante duas décadas, comandou um forte núcleo de resistência contra a opressão da comunidade indígena e negra. A líder era apelidada por todos a “Rainha Tereza”.

Para Priscila Chagas, artista docente interina de Técnicas de Palco  da SP Escola de Teatro, o dia abre um espaço de reflexão sobre uma temática que perpassa o lugar da mulher e artista negra na sociedade contemporânea:

“25 de julho é dia de Tereza de Benguela, dia das mulheres líderes, das mulheres de comunidade e que comungam a união, das mulheres que alimentaram e alimentam o mundo com sua genialidade, coragem e seios. Dia da minha avó, da minha mãe, tias e primas. Das companheiras de luta e resistência nos espaços colonizados que ocupei. Dos encontros e apoios. É o dia que eu me lembro que não estou só.”

Em virtude da importância dessa data, a SP Escola de Teatro preparou uma lista especial com 12 artistas latinas que fizeram e fazem história nas artes do palco! Confira:

Priscila Chagas

Priscila Chegas é mestre pelo  Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de São João del Rei, licenciada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (2016). Formada como atriz pelo Teatro Escola Macunaíma (2011) e Técnicas de Palco (cenotécnica) pela SP Escola de Teatro (2018), onde atua como docente interina. A artista já participou da equipe cenográfica do espetáculo Estado de Sitío de Albert Camus, indicado ao prêmio Shell 2019, com direção de Gabriel Villela e cenografia de J. C. Serroni e possui experiência na área de Artes, com ênfase em Teatro e espacialidade em Cenografia, Cenotécnica, Pintura de Arte, Adereço Cênico e Montagem Cenográfica. Ela acaba de entrar no doutorado na UniRio (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em Cenotécnica.

 

Victoria Santa Cruz

Nascida em 1922, Victoria Santa Cruz era uma dramaturga, poeta, coreógrafa e pensadora peruana de singular importância na história da luta afro-latina. Ela foi uma das pioneiras na revitalização da arte e cultura negra peruana nas décadas de 1960 e 1970. Se formou na Universidade do Teatro das Nações, na França, fundadora da companhia Teatro y Danzas Negras del Perú e diretora do Primer Festival de Arte Negra del Perú, uma de suas performances mais marcantes é a “Gritaram-me negra”, de 1960.

 

Valdice Teles

Valdice Teles nasceu em 1958 em Sergipe e se tornou uma atriz e intelectual que foi símbolo na luta contra o patriarcalismo e racismo. A artista foi um dos expoentes do Grupo Teatral Imbuaça, no qual atuou durante 25 anos, e nele eram trabalhados clássicos da literatura mundial e explorada, por meio da linguagem teatral, a literatura de cordel.

Awilda Sterling

Awilda Sterling é uma artista e coreógrafa porto-riquenha famosa por produzir performances que utilizam movimentos tradicionais da dança afro-caribenha, jazz e do ritmo experimental moderno. Já tendo realizados múltiplos trabalhos que trabalham o corpo de maneira expressiva, a artista acredita que a cultura tem o poder de ensinar a estabelecer padrões de conduta e a arte/performance nos ajuda a estudar e entender o nosso próprio comportamento cotidiano.

 

Ruth de Souza

Ruth de Souza, uma das maiores atrizes brasileiras, reconhecida internacionalmente, nasceu no Rio de Janeiro em 1921. Ao longo de sua trajetória, ela foi responsável por dar vida a inúmeras personagens que simbolizam a resistência do corpo negro na sociedade. Ao longo de sua carreira atuou em inúmeros espetáculos, sendo memorável a sua participação no revolucionário Teatro Experimental do Negro (TEN), conduzido por Abdias do Nascimento. Ela faleceu em 2019.

 

Zezé Motta

Zezé Motta nasceu no município de Campos dos Goytacazes, interior fluminense, em 1944, e é uma das militantes do Movimento Negro Unificado (MNU), grupo de ativismo político, cultural e social de relevante trajetória no âmbito do movimento negro no Brasil. Na televisão, Zezé foi responsável por muitos papéis de destaque, integrou a TV Tupi em 1968, por meio da telenovela Beto Rockfeller, e a Rede Globo, com Memorial de Maria Moura, A Próxima Vítima, Chiquinha Gonzaga, Esplendor e Pacto de Sangue. Dentre as muitas indicações e prêmios recebidos pela atriz, podemos citar: Prêmio Coruja de Ouro de Cinema; Prêmio Governador do Estado de São Paulo; Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; Troféu Raça Negra; Troféu Palmares; Festival de Cinema de Gramado, entre tantos outros.

Adélia Sampaio

Adélia Sampaio foi a primeira diretora negra a dirigir um longa-metragem na América Latina, foi o filme Amor Maldito, lançado em 1984. A artista nasceu em 1944, em Belo Horizonte (MG), e chegou ao Rio de Janeiro ainda na infância. Ela iniciou no universo do cinema através do contato com sua irmã que trabalhava na produtora Tabajara Filmes, empresa que foi pioneira do Cinema Novo, importante movimento do audiovisual nacional.

Leonor González Mina

Leonor Gonzáles Mina é uma das mais importantes artistas da cena artística colombiana. Atriz, cantora, folclorista e ex-representante da Câmara afro-colombiana, ela nasceu em 1934 e revolucionou a história cultural e artística de seu país. Na colômbia, Leonor é conhecida como La Negra Grande de Colômbia.

 

 Teresa Cárdenas

 

Teresa Cárdenas nasceu em Cuba, em 1970, e é uma renomada escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social na luta e resistência contra o racismo. Sua obra traz temas diversos, como amor, memória, autoconhecimento, escravidão, discriminação e religiões de matriz africana. Um de seus títulos mais famosos é Cartas al cielo, de 1997. A autora também possui vários livros infantis, como os exemplares Cuentos de Macucupé e Cuentos de Olofi.

 

Pippa Luke

Imigrante equatoriana residente no Brasil desde 2016, Pipa é graduada em Produção Audiovisual, com habilitação em Produção, Direção, Cinema e Televisão pelo Instituto de Artes Visuales de Quito, capital do Equador. Natural de Machala, capital da província Del Oro, conhecida como a capital mundial da banana, localizada na costa equatoriana, Pipa desembarcou no Brasil acompanhada de sua filha, Isis Kat, atualmente com 9 anos, após uma convenção circense no Paraguai, no ano de 2016. Foi lá que se apaixonou pelo bambolê. O encanto a levou a se tornar aprendiz autodidata da modalidade circense. Atualmente, a artista é uma grande especialista e pesquisadora do bambolê na América Latina, já tendo ministrado um curso de extensão na SP Escola de Teatro.

 

Dione Carlos

Dione Carlos é atriz, dramaturga, roteirista e arte-educadora, formada na primeira turma do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro. Cursou Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Atuou como atriz por dois anos na Cia do ator Renato Borghi. É responsável por cerca de quinze textos encenados por diversos grupos: Cia do Pássaro, Cia do Caminho Velho, Cia Livre, Coletivo Legítima Defesa, Cia Capulanas de Arte Negra, dentre outras. Autora do livro Dramaturgias do Front pela editora Primata, integra também as seguintes coletâneas: Dramaturgia Negra, da Funarte; Negras Insurgências, da editora.

 

Luh Mazza

Luh Maza é dramaturga, diretora, atriz e crítica teatral. Carioca, vive em São Paulo desde 2007. Iniciou sua carreira no teatro aos 12 anos como atriz e sua primeiro texto teatral – Três tempos –  foi publicado aos 16 anos. É autora de mais de dez peças encenadas no Rio, São Paulo e Portugal, todas sob sua direção. Cinco de seus textos foram publicados na coleção Primeiras obras (Imprensa Oficial, 2009) – indicada ao Prêmio Jabuti de Literatura – e também foram lançados sob o título Teatro (Chiado Editora – Lisboa, 2015) em diversos países da Europa e da África. Além disso, atualmente, artista também é roteirista da HBO Max Brasil.

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