‘Não vejo Moscou da janela do meu quarto’ faz temporada na Escola

Publicado em: 18/07/2014

A dramaturgia de Anton Tchecov, principalmente a peça “As três irmãs”, e a literatura de Julio Cortázar, em especial o conto “Casa tomada”, dialogam e se entrelaçam no espetáculo “Não vejo Moscou da janela do meu quarto”, que está em cartaz na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro até 27 de julho, com apresentações aos sábados e domingos. Depois, em agosto, a peça volta, com sessões às terças e quartas.

 

Com direção e dramaturgia de Silvana Garcia, a montagem – que tem iluminação de Beto Bruel (Prêmio Shell de Melhor Iluminador em 2001, 2005 e 2008) – foi criada durante a residência artística que a teórica, ensaísta e professora cumpre na Escola desde dezembro do ano passado. A peça fica em cartaz até 27 de julho, com sessões aos  sábados e domingos.

 

Ambientada na década de 1950, “Não vejo Moscou da janela do meu quarto” traz a história de três irmãos que vivem o cotidiano confinados em uma casa que aos poucos vai sendo tomada por algo ou alguém que não se revela, ao mesmo tempo em que anseiam por uma viagem a Moscou, um lugar cada vez mais distante e desterritorializado. 

 

(Foto: André Stefano)

 

De acordo com a diretora, “o processo de isolamento acompanha a deterioração de suas relações – provocando um deslocamento da ação para um registro de irrealidade, humor e suspensão poética”. A peça tem Maria Tuca Fanchin, Sol Faganello e Leonardo Devitto no elenco. Eles vivem os irmãos Irina, Macha e Andrei, que têm seus desejos de ir a Moscou freados por algo maior.

 

“Há nessas personagens um conformismo que as faz se adaptarem a todos os infortúnios. Ainda assim, alimentam a esperança e acreditam que haverá algo que valha a pena. Em Cortázar, os dois irmãos abandonam a casa e não podemos imaginar o que seria deles, porque só existem enquanto estão ali dentro. Pensei muito nisso e conclui que também para eles não há saída”, afirma Silvana Garcia.

 

Para criar a obra, Silvana “atualizou” o texto de Tchecov (escrito em 1900) para mais próximo da data em que Cortázar escreveu “Casa tomada” (1946) e, portanto, para mais perto do presente. Situou seu universo no fim da década de 1950, em meio ao conturbado e tenso período da Guerra Fria.

 

“Não acho que isso esteja tão distante de nossa atualidade. Mudaram os protagonistas, mas podemos ainda testemunhar na grande imprensa, diariamente, aqui e lá fora, indícios dessa mesma aversão ao que nos é estranho e diferente.” Elementos característicos da época, como a corrida espacial e os filmes de ficção científica também foram incorporados à temática da peça.

 

O projeto da montagem deriva da pesquisa que deu origem ao grupo lasnoias & cia., em 2005. Voltado à pesquisa de textos e dramaturgia contemporâneos, o coletivo inicialmente era vinculado à Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, como núcleo de estudos e experimentação cênica, e logo em seguida profissionalizou-se. Seus dois primeiros trabalhos são: “Lesão cerebral” (2007) e “Há um crocodilo dentro de mim” (2009).

 

Em 2013, para abrir o processo ao público, foi criada uma performance chamada “Moscou, peça desmontagem”, apresentada durante a última Satyrianas. O projeto contou foi viabilizado por financiamento coletivo (pelo site www.catarse.me) e sem apoio de mecanismos de fomento à produção cultural. 

 

“Gosto de dizer que, finalmente, me sinto madura para dirigir. Espero que possamos oferecer aos espectadores uma vivência poética, sensível e inteligente”, finaliza a diretora.

 

Ficha técnica

Concepção, dramaturgia e direção: Silvana Garcia

Criação: Maria Tuca Fanchin, Sol Faganello e Leonardo Devitto

Assistência de direção e de dramaturgia: Bruno Gavranic

Direção de arte e figurinos: Maria Tuca Fanchin

Cenografia: Ciro Schu

Iluminação: Beto Bruel

Pesquisa de trilha sonora: Maria Tuca Fanchin

Preparação corporal: Diogo Granato

Consultoria de voz: Mônica Montenegro

Preparação de canto: Andrea Kaiser

Apoio teórico: Elena Vássina

Filmagem em Moscou: Nikolay Erofeev

Edição de vídeo: Sol Faganello

Operação de luz: Danielle Meireles

Cenotécnica: Jimmy Wong, Yuri Cumme, Diego Gonçalves

Maquiagem: Juliana Rakosa

Cabelo: Sérgio G

Produção: Núcleo Corpo Rastreado

Assistência de produção: Jackie Dolstoy e Marina Gomes

Fotografia: Roberto Setton

Design gráfico: Marina Kanzian e Luca Bacchiocchi

Assessoria de imprensa: Arteplural

 

Serviço

“Não vejo Moscou da janela do meu quarto”

Quando: Sábado, às 21h; domingo, às 20h (até 27 de julho)

Terças e quartas, às 21h (5, 6, 12, 13, 19, 20, 26 e 27 de agosto)

Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt

Praça Roosevelt, 210 – Centro

Tel.: (11) 3775-8600

Capacidade: 40 lugares

Classificação: 14 anos

Duração: 70 minutos

Ingresso: R$ 20

 

Texto: Felipe Del

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